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Porto Alegre sedia sete jogos da Copa do Mundo

Marcos Tibúrcio analisa o impacto dos sete jogos da Copa do Mundo que Porto Alegre sediará e os desafios da organização.

Porto Alegre sedia sete jogos da Copa do Mundo
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Marcos Tibúrcio

Porto Alegre vai receber sete jogos da Copa do Mundo. Sete. O Beira-Rio, palco de tantas batalhas, verá o planeta desfilar em seu gramado. Mas não verá a camisa amarela. A Seleção Brasileira, quando a bola do Mundial de 2027 rolar para valer, jogará em outros palcos, para outras gentes. A capital gaúcha será anfitriã, mas de uma festa em que a dona da casa não aparece.

A cidade, então, se move. Negocia um amistoso. Um aceno. Querem que a Seleção de Arthur Elias, antes de buscar a glória em gramados alheios, passe por ali, jogue uma partida em uma das datas Fifa de 2026. A lógica do gabinete é clara: aproximar o torcedor do evento. Aquecer a arquibancada para uma competição que, para o brasileiro que estará lá, será uma vitrine de seleções estrangeiras. Um exercício de hospitalidade, talvez. Mas não de pertencimento.

A ausência que se anuncia

Futebol, porém, não se resolve na planilha da organização. Não se cria afeto por decreto. Um amistoso é um evento, uma noite. Uma Copa do Mundo é outra coisa: é destino, é a cidade inteira respirando a mesma espera, é o nervo exposto nos dias de jogo do próprio time. Porto Alegre terá o Mundial, mas não terá o seu drama particular. Terá o espetáculo, mas não a angústia que só a camisa do seu país provoca.

Claro, há quem veja a manobra como um pragmatismo bem-vindo, uma chance de ver as jogadoras de perto e garantir um estádio pulsante. Seria uma leitura honesta. Mas fica no ar a sensação de prêmio de consolação. É como receber o convite para arrumar o salão para o baile, mas saber, de antemão, que não se vai dançar com a debutante. O amistoso serve para que o gaúcho se sinta parte de algo que, na hora decisiva, acontecerá longe dos seus olhos.

A Seleção virá, talvez em outubro, talvez em novembro. Jogará noventa minutos. Fará seus gols, será aplaudida. Depois, irá embora. E o Beira-Rio ficará esperando as bandeiras e os hinos que não são os seus. A negociação em curso não é apenas por uma data no calendário. É a tentativa de preencher um vazio que a própria tabela da Copa criou.

Resta saber se um único jogo é capaz de transformar um espectador em protagonista.

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Porto Alegre negocia amistoso da Seleção Feminina em 2026

Fonte: ge

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