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O ensaio geral para a eleição paulista

Análise · Beatriz Fonseca Quatro anos separam o primeiro encontro do segundo.

O ensaio geral para a eleição paulista
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Análise · Beatriz Fonseca

Quatro anos separam o primeiro encontro do segundo. Neste domingo, às 20h, Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) voltam a debater na Band, desta vez sozinhos. É uma espécie de segundo turno antecipado, com papéis institucionais invertidos: Haddad, que em 2022 era o candidato alinhado ao governo federal eleito, agora é a oposição no estado; Tarcísio, então ministro, hoje ocupa o Palácio dos Bandeirantes.

A pesquisa Datafolha de julho confere ao governador uma posição de largada confortável, com 46% das intenções de voto contra 30% de Haddad. O cenário indica uma possível resolução em primeiro turno. Para a campanha petista, portanto, o desafio é claro: reduzir essa distância. A estratégia, segundo interlocutores, passa por construir a tese de que São Paulo "andou para trás" sob a gestão atual, especialmente em privatizações como a da Sabesp e a de linhas de trem.

O argumento se desdobra em um contraste. De um lado, um Brasil que avança, impulsionado por um governo federal do qual Haddad faz parte; de outro, um estado que patina. O discurso permite valorizar a gestão do presidente Lula e, ao mesmo tempo, associar a administração de Tarcísio a um custo para a população. A campanha do ex-prefeito espera um primeiro encontro previsível, com temas já conhecidos e sem grande agressividade.

Do lado do governador, o roteiro é centrado na apresentação de entregas. A retomada de obras paradas, como o monotrilho da Linha 17-Ouro e o trecho norte do Rodoanel, a redução do fluxo na região da Cracolândia e os avanços em habitação formam a espinha dorsal de sua defesa. Diante dos ataques à venda da Sabesp, Tarcísio se prepara para argumentar que o contrato firmado garante eficiência e destrava investimentos. Seus auxiliares esperam críticas acima do tom e afirmam que o governador está pronto para respondê-las, explorando as vulnerabilidades de seu adversário.

A segurança pública surge como um campo de batalha particular. É uma das principais atribuições do cargo e um desafio histórico para a esquerda. A campanha de Haddad planejava lançar suas propostas para a área no sábado, dia 8, mas a agenda foi postergada para a segunda-feira, dia 10. Para o petista, o custo a ser demonstrado é o "custo Tarcísio". Para o governador, o debate é a vitrine do trabalho realizado.

Começa assim, a quatro meses do voto, um reencontro que não é apenas sobre o futuro de São Paulo, mas também sobre a validação de dois projetos nacionais que se opõem. A questão é saber se o debate desta noite servirá para alterar uma fotografia já tão nítida ou apenas para reforçar seus contornos.

Beatriz Fonseca — Política nacional — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Haddad e Tarcísio debatem na Band às 20h deste domingo

Fontes: Folha de S.Paulo · UOL