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Maracanãzinho faz ensaio geral para Jogos Olímpicos

O Maracanãzinho passou por um ensaio geral detalhado, testando a infraestrutura e a operação para os próximos Jogos Olímpicos.

Maracanãzinho faz ensaio geral para Jogos Olímpicos
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Marcos Tibúrcio

A rede estava lá. O placar, também. Uma seleção da Venezuela, com a dignidade de quem sabe o tamanho do desafio, se apresentou do outro lado. Mas a partida de terça-feira no Maracanãzinho foi menos um jogo e mais um ensaio, uma liturgia de reencontro. O verdadeiro adversário do time de José Roberto Guimarães não vestia uniforme; era o eco do próprio ginásio e a ferrugem nos joelhos da capitã.

Gabi voltou. A ponteira, ausente da Liga das Nações para tratar das dores que atormentam a carreira de qualquer atleta, pisou na quadra onde se ganha e se perde a glória. Fez seis pontos. Cinco de ataque, um de bloqueio. Números modestos, quase burocráticos, se não contassem a história de uma recuperação. Cada um desses pontos foi um teste para a região lombar, uma mensagem para as adversárias que virão — e que serão mais duras que as venezuelanas.

O Sul-Americano, para uma seleção com 23 títulos, funciona como uma pré-temporada com troféu. Uma obrigação. A vitória por 3 sets a 0, com parciais que não deram margem à dúvida (25/14, 25/13, 25/19), cumpriu o protocolo. Ana Cristina, a oposta, terminou com 12 pontos, assumindo a responsabilidade ofensiva enquanto a capitã media os próprios limites. É um roteiro que pode se repetir. José Roberto Guimarães, técnico que sabe o peso do tempo, usou dez jogadoras. Rodou o elenco, testou formações, buscou ritmo.

A verdade é que o placar tranquilo pode enganar o olhar apressado. A grande disputa desta semana não é pelo título continental, mas pela única vaga que o torneio oferece para a Olimpíada de Los Angeles, em 2028. É uma vaga que o Brasil não pode sonhar em perder. Os confrontos contra Peru e Chile serão capítulos do mesmo enredo. A Argentina, no domingo, talvez exija um pouco mais de suor, um pouco mais de alma.

Para quem estava na arquibancada, o jogo foi a celebração de um retorno. O placar era detalhe. O que importava era ver Gabi em quadra, inteira, comandando. A Venezuela, com seus oito pontos da central Alejandra Arguelo, foi o sparring necessário. O Brasil não enfrentou um oponente; testou a si mesmo. Agora, resta saber o que acontece quando o ensaio acaba e a peça, de verdade, começa.

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

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Fonte: Agência Brasil