Senado questiona governo sobre votos para PEC de Transição
Davi Alcolumbre, presidente do Senado, questionou o governo sobre o apoio à PEC de Transição, que revelou a falta de votos para a aprovação da proposta.
Análise · Luciano Aragão
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), fez uma pergunta simples ao governo: há 49 votos? A resposta foi não. E assim, a Proposta de Emenda Constitucional que prometia uma jornada de 40 horas semanais deixou de ser pauta na quarta-feira e virou um tema para depois do primeiro turno da eleição.
A aritmética é a matéria mais dura do Congresso Nacional. O governo sabia que precisava de 60% dos 81 senadores. Não os tinha. O líder governista, senador Randolfe Rodrigues (PT-AC), resumiu a operação em uma frase: "A oposição ao nosso governo é contra o fim da escala 6x1. Ponto".
A resistência, no entanto, não é novidade nem surpresa. Na Comissão de Constituição e Justiça, a PEC passou em votação simbólica, mas quatro votos nominais foram registrados contra o texto. Estavam lá as assinaturas de Rogério Marinho (PL-RN), o líder da oposição, Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Tereza Cristina (PP-MS) e Jaime Bagattoli (PL-RO). Um sinal claro de que o plenário não seria um passeio.
A tática do corredor vazio
O que se viu foi a aplicação de um manual básico de guerrilha parlamentar. Com a presença direta do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a oposição trabalhou para esvaziar o plenário. Sem quórum, não há deliberação. O calendário especial aprovado na CCJ para acelerar a tramitação se mostrou inútil diante da falta de senadores em seus assentos. O cronômetro regimental para em uma Casa vazia.
A manobra adia a votação de uma pauta popular para um momento de menor temperatura eleitoral, mas expõe a dificuldade do governo em converter prioridades em votos consolidados. Mesmo com uma proposta de apelo direto ao trabalhador, a base governista não conseguiu garantir o número mínimo para sequer abrir a votação.
Ainda que o discurso oficial culpe a “ação coordenada” da oposição, o resultado final aponta para uma falha de articulação da própria situação. A política, muitas vezes, não se mede pela qualidade da proposta, mas pela capacidade de reunir aliados na hora e no local certos. É uma leitura que o governo, por prudência ou por necessidade, preferiu não fazer em público.
Agora, o descanso de dois dias por semana terá que esperar o resultado das urnas. Resta saber se o placar no Senado muda com o placar da eleição.
Luciano Aragão — Brasília. Xaplin.
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Fonte: Agência Brasil