Brasil enfrenta desafios antes de Copa do Mundo em Miami
Análise de Marcos Tibúrcio sobre obstáculos enfrentados pela seleção dias antes da competição.
Análise · Marcos Tibúrcio
Há coisas que uma Copa do Mundo revela antes mesmo de a bola rolar. O voo da Seleção Brasileira para Miami atrasou por causa do mau tempo em Nova Jersey. Um contratempo banal, desses que acontecem com comitivas de clubes menores e delegações sem glamour. Mas quando é o Brasil, e quando a partida do outro lado é uma eliminatória de Copa, o atraso deixa de ser logística e vira sintoma — ou pelo menos o torcedor insiste em lê-lo assim.
A partida desta quarta-feira contra a Escócia, às 19h, fecha o Grupo C para o Brasil. É o último teste antes do mata-mata, e portanto o último momento em que errar ainda cabe dentro de uma certa margem de conforto relativa. Miami, com seu calor e sua torcida dispersa entre mil nacionalidades, não é exatamente um ambiente hostil para o verde-amarelo — mas tampouco é o Maracanã. O Brasil joga em campo neutro dentro de um torneio que foi desenhado para não ter campo neutro.
O que os materiais confirmam é ao mesmo tempo simples e relevante: Alisson e Neymar participaram normalmente do último treino antes do jogo. Isso importa. Importa porque os dois carregam o peso específico de quem, quando está fora do campo, faz a imprensa e a arquibancada calcularem a partida antes de ela começar. Alisson no gol e Neymar em campo é uma declaração de intenção, ainda que silenciosa.
O atraso não cancela o jogo. Mas a Copa tem essa crueldade particular: ela não descansa. Enquanto o avião esperava autorização para decolar em Nova Jersey, o relógio já corria em Miami.
A Escócia não é adversária a ser tratada como formalidade. Nunca foi, desde que voltou a aparecer em Copas com alguma regularidade. O futebol britânico tem uma obstinação que não depende de estrelas — depende de estrutura, de marcação e de uma disposição física que o calor da Flórida vai testar tanto quanto testa o Brasil. O confronto, na teoria, deveria favorecer o verde-amarelo. Na teoria. Porque o futebol vive de desmentir teorias, e a Copa do Mundo é o lugar onde isso acontece com mais brutalidade e mais audiência.
O Brasil chega a Miami com atraso no voo e com tudo que ainda precisa provar neste torneio. A preparação foi truncada, o contexto é de pressão acumulada, e a última rodada de grupos tem essa perversidade de ser ao mesmo tempo urgente e aparentemente administrável. É exatamente nessa aparência de controle que os times tropeçam. O mau tempo em Nova Jersey vai ficar numa nota de rodapé. O que acontecer dentro dos noventa minutos em Miami é que vai definir o que o Brasil é — ou pretende ser — nesta Copa.
Marcos Tibúrcio — Esporte
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
Leia o factual: Mau tempo em Nova Jersey atrasa voo da Seleção para Miami
Fontes: Agência Brasil · g1