Brasil vence e mobiliza país inteiro em jogo duplo na quarta
Análise mostra como a partida na quarta-feira gerou impacto simultâneo no campo e nas redes sociais.
Análise · Marcos Tibúrcio
Havia dois jogos acontecendo ao mesmo tempo na quarta-feira. Um no gramado — o Brasil construindo com calma seus três gols sobre uma Escócia que não veio para humilhar, mas tampouco para competir com igual. Outro nas telas, no sofá, no celular na hora do almoço, no tablet da cozinha: o Brasil inteiro parando, de novo, diante de uma Copa do Mundo. E esse segundo jogo, em certos aspectos, diz mais sobre o momento do país do que qualquer placar.
A Globo superou 40 pontos de audiência. O número é expressivo por si só, mas ganha dimensão quando se lembra que a televisão aberta passou os últimos anos sendo declarada morta por analistas que confundem tendência com epitáfio. Quarenta pontos não é saudade de passado — é presente. É gente escolhendo, deliberadamente, sentar diante da mesma tela que a família sentava antes.
Mas o fenômeno mais revelador veio de outro lado. A CazéTV alcançou 17,8 milhões de aparelhos conectados no YouTube e bateu o que se descreve como um recorde mundial na plataforma. Isso não é dado menor. É uma geração inteira que descobriu, ou confirmou, que torce do mesmo jeito que os mais velhos — só que com o celular na mão e o chat rolando na lateral da tela.
O futebol sempre foi o lugar onde o Brasil se reconhece. O que muda, de Copa em Copa, é o espelho — não o rosto.
A coexistência dos dois recordes, longe de ser contraditória, é a fotografia mais honesta do que acontece quando o Brasil joga. Não houve canibalismo entre as plataformas — houve expansão. A torta cresceu. Cada canal encontrou seu público, e esse público se sobrepôs em emoção, se não em canal. Quem estava na Globo e quem estava na CazéTV gritou nos mesmos lances, sofreu as mesmas hesitações, comemorou os mesmos três gols.
Há uma implicação que vai além da disputa comercial entre emissoras. O que esses números revelam é que o interesse pelo selecionado ainda é capaz de suspender o cotidiano nacional de maneira que nenhum outro evento consegue. Eleição, final de reality, grande premiação — tudo isso mobiliza fatias. O Brasil jogando mobiliza o país. É outra escala, outra natureza.
Isso coloca pressão sobre o que vem a seguir. Uma audiência dessa magnitude não é só número para o departamento comercial — é expectativa acumulada. O torcedor que parou o dia para ver o 3 a 0 sobre a Escócia vai parar de novo no jogo seguinte, e no subsequente, carregando consigo uma exigência que cresce a cada rodada. A Copa continua. Os recordes ficaram registrados. E o Brasil, por ora, avança — com o país inteiro olhando, em qualquer tela que encontrar.
Marcos Tibúrcio, Esporte — Xaplin
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
Leia o factual: Globo supera 40 pontos e CazéTV bate recorde em Brasil x Escócia
Fontes: Folha de S.Paulo · CNN Brasil