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Brasil sobe no ranking da Fifa sem jogar

Portugal tropeçou e beneficiou o Brasil na classificação. Análise de Marcos Tibúrcio sobre o movimento no ranking internacional.

Brasil sobe no ranking da Fifa sem jogar

Análise · Marcos Tibúrcio

Há algo perturbador na notícia. O Brasil subiu no ranking da Fifa sem entrar em campo. Subiu porque Portugal tropeçou. Subiu por decreto de tabela, não por gol, não por jogo, não por nada que tenha acontecido dentro de um retângulo verde. Em outro momento, isso seria curiosidade de rodapé. Neste momento, com a Copa já começada e o Brasil ainda aguardando sua estreia, é um sintoma que merece ser lido com cuidado.

Portugal empatou. Espanha decepcionou. O Brasil, quando jogou, também decepcionou. Essa é a moldura real da primeira rodada desta Copa do Mundo de 2026 — e ela não favorece nenhum dos candidatos tradicionais ao título. O que favorece, por ora, é apenas a mediocridade coletiva das grandes potências. Subir no ranking por isso não é motivo de satisfação. É, no melhor dos casos, um alerta disfarçado de boa notícia.

Eric, ao comentar o desempenho comparado das seleções, disse que ficou "mais apavorado" com o que viu do Brasil do que com o rendimento das outras equipes. A declaração tem peso porque vai na contramão do conforto fácil. Seria simples, neste momento, celebrar a ascensão no ranking e virar a página. Mas o que Eric identificou — e o que os dados da estreia confirmam — é que há uma discrepância real entre o que o Brasil apresentou em campo e o que se esperava de uma seleção que carrega o peso de ser sempre candidata.

Subir no ranking enquanto os outros caem não é o mesmo que crescer. É permanecer no mesmo lugar enquanto o chão desce.

A Copa do Mundo não é um ranking. É uma eliminatória. No mata-mata, não importa quem estava numericamente à frente em junho. Importa quem jogou melhor no dia. E aí a fotografia da primeira rodada é mais dura: as seleções que deveriam dar o tom do torneio — Brasil, Portugal, Espanha — deixaram dúvidas. Algumas deixaram mais do que dúvidas.

O Brasil ainda tem tempo. A fase de grupos existe justamente para isso — para encontrar o jogo, ajustar o time, descobrir o que funciona. Mas a subida no ranking sem atuar é uma metáfora inconveniente para uma seleção que precisa urgentemente de argumento próprio, de jogo que convença, de um onze que entre em campo e faça o observador esquecer a tabela e lembrar do futebol. Por enquanto, o Brasil é mais bem colocado no papel do que no gramado. E a Copa, como sempre, se decide no gramado.

A arquibancada de uma Copa do Mundo não aplaude ranking. Ela aplaude o que vê. E o que se viu, até aqui, ainda está longe de merecer de pé.

**Marcos Tibúrcio** | Esporte

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

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Fonte: ge