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Brasil empata e decepciona contra Haiti nas Eliminatórias

Seleção brasileira não conseguiu vencer o Haiti em partida que exigisse vitória para manter aspirações nas Eliminatórias.

Brasil empata e decepciona contra Haiti nas Eliminatórias

Análise · Marcos Tibúrcio

Há jogos que uma seleção precisa ganhar. Não pela beleza, não pela história, não pelo ranking. Pela sobrevivência simples dentro de um torneio que não perdoa quem tropeça duas vezes seguidas. O Brasil chega a esta sexta-feira em Philadelphia carregando o peso de um empate com Marrocos na estreia — e com Carlo Ancelotti já na posição de quem precisa responder, não apenas perguntar.

O adversário é o Haiti. E aqui mora o primeiro equívoco de quem cobre Copa do Mundo olhando só para o cabeçalho da chave. O Haiti não está neste torneio por acidente diplomático ou cota geográfica. Está porque se classificou. Porque jogou. Porque alguém fez gol quando precisava e segurou quando não podia ceder. Ignorar isso é o começo de um resultado que a imprensa depois vai chamar de surpresa, mas que a arquibancada, essa que olha o jogo com os olhos, já viu chegar.

O Brasil de Ancelotti, porém, tem uma conta aberta com ele mesmo. O empate com Marrocos não foi apenas um resultado ruim — foi um sinal de que algo no mecanismo ainda não encaixou. Ancelotti, homem de autocrítica declarada segundo o que ele próprio disse após a partida, sabe disso. Treinadores da estirpe dele não precisam de jornalista para apontar o que errou. Eles já sabem antes da coletiva terminar. A questão é se o ajuste vem a tempo, aqui, em Philadelphia, num estádio que não é o Maracanã e num horário que é fim de noite em Brasília.

A Copa do Mundo 2026 começou em 11 de junho. O Brasil ainda não ganhou uma partida sequer. Esse dado não é drama de jornalista — é fato que pesa.

O jogo desta sexta tem, portanto, uma dimensão que vai além do placar. Uma derrota ou outro empate coloca o Brasil na situação de quem depende de resultado alheio para avançar — e de quem entra na terceira rodada com moral corroída. Não é o fim, mas é o começo de um tipo de pressão que Copa do Mundo sabe aplicar com precisão cirúrgica. A competição tem paciência zero com seleções grandes que jogam pequeno.

Ancelotti tem diante de si a tarefa que todo técnico de seleção conhece bem: convencer onze homens de que o jogo importa, mesmo quando o adversário, no papel, parece menor. Mas futebol não se joga no papel. Joga-se no gramado do Philadelphia Stadium, às 21h30 de uma sexta-feira de junho, com o Haiti do outro lado — e com o Haiti tendo tudo a ganhar e quase nada a perder.

Essa assimetria de pressão é, historicamente, o pior campo para o favorito jogar. Não porque o Haiti vá dominar tecnicamente. Mas porque equipes que jogam soltas costumam ser mais perigosas do que equipes que jogam obrigadas. O Brasil está obrigado. O Haiti, não.

Às 21h30, a resposta começa a ser dada. O resto é conversa.

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Brasil enfrenta Haiti na segunda rodada da Copa do Mundo 2026

Fontes: g1 · ge