Seleção brasileira mostra futebol ofensivo na Copa
Carlo Ancelotti finalmente respondeu à pergunta que pairava sobre a seleção desde o início da competição.
Análise · Marcos Tibúrcio
Havia uma pergunta sem resposta desde que Carlo Ancelotti aceitou o cargo e a seleção brasileira entrou nesta Copa como candidata por obrigação, não por convicção. A pergunta era simples e cruel: esse time sabe jogar junto? Contra a Escócia, na noite desta quinta-feira, a resposta chegou em forma de gol, de dois — de Vinícius Júnior —, e de um terceiro assinado por Matheus Cunha que fechou o placar em 3 a 0 e mandou o Brasil ao topo do Grupo C com sete pontos.
Não é o número que importa. É o modo.
Vinícius Júnior já havia sido o melhor do Brasil nas rodadas anteriores, mas havia sempre uma ressalva, um porém, uma hesitação coletiva que tornava o brilho individual quase solitário. Desta vez, o time funcionou ao redor dele, não apesar dele. Ancelotti encontrou, finalmente, o que todo técnico de seleção busca e raramente acha em tempo hábil: uma ideia que os jogadores acreditam. A Escócia foi adversária honesta, organizada, mas foi varrida por um Brasil que jogou com fluidez rara para um grupo que tem pouco tempo de convivência e muita pressão acumulada.
E então veio Neymar.
Quase mil dias sem vestir a camisa amarela. Não é número, é era geológica no tempo do futebol.
A entrada de Neymar em campo não foi apenas substituição — foi o tipo de momento que a Copa fabrica e que a gente não esquece onde estava quando viu. Quase mil dias afastado da seleção, lesões, cirurgias, o lento processo de reconstrução de um corpo que carregou peso demais por tempo demais. Ele voltou. E o estádio, seja lá qual fosse a proporção de brasileiros nas arquibancadas, entendeu o que estava vendo.
O Marrocos, ao vencer o Haiti, garantiu a segunda vaga do grupo e evitou qualquer drama matemático para o Brasil. A classificação chegou limpa, sem o suspense fabricado pelas tabelas de possibilidades. Isso também diz algo sobre como a seleção administrou a fase: não dependeu de resultado alheio, não esperou favor. Fez o próprio placar e fechou a conta.
A segunda fase da Copa coloca o Brasil diante de adversários que já se conhecem, que já ajustaram o que tinham a ajustar. O time de Ancelotti chega com a melhor campanha do grupo, com Vinícius no melhor momento do torneio e com uma interrogação que virou ponto de exclamação. Não é garantia de nada — Copa do Mundo não aceita certeza como moeda. Mas é outra coisa: é um Brasil que parece saber o que quer dentro de campo. Para quem acompanhou as últimas campanhas, isso não é pouco. Isso é quase tudo.
Marcos Tibúrcio
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
Leia o factual: Brasil vence Escócia 3 a 0 e termina em primeiro lugar do grupo
Fontes: BBC News Brasil · ge