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O Brasil nunca venceu a Noruega. Essa conta chega agora

Análise · Marcos Tibúrcio Há jogos que carregam peso antes de começar. Brasil e Noruega é um desses.

O Brasil nunca venceu a Noruega. Essa conta chega agora
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Análise · Marcos Tibúrcio

Há jogos que carregam peso antes de começar. Brasil e Noruega é um desses. Não pelo espetáculo prometido, não pelo ranking ou pela fama dos nomes em campo — mas pelo que o histórico entre os dois países diz em silêncio sobre o futebol brasileiro: em quatro encontros, foram duas vitórias norueguesas e dois empates. Nenhuma vitória verde-amarela. Nenhuma.

Esse número precisa ser dito com vagar para que produza seu efeito completo. O Brasil, que atravessou décadas acumulando títulos e mitologia, que formou Pelé, Garrincha, Ronaldo, Ronaldinho — esse Brasil nunca venceu a Noruega. E agora a Noruega está ali, nas oitavas de final de uma Copa do Mundo, esperando.

A Noruega não é um país de futebol no sentido clássico. É um país de fiordes, de petróleo, de bem-estar social. O futebol não está no centro da sua identidade nacional da mesma forma que está no Brasil — onde o esporte foi, durante um século, o lugar onde o país se reconhecia, se orgulhava e às vezes se despedaçava. Mas esse contraste não alivia nada. Se aliviasse, 1998 não seria uma cicatriz.

A Noruega de 1998, com Egil Olsen no banco e Ole Gunnar Solskjær em campo, eliminou o Brasil nas oitavas daquela Copa da França. Tatu Júnior, Bebeto, Ronaldo em campo — e a Noruega venceu. Foi um dos resultados mais inesperados daquele torneio e um dos mais dolorosos da história recente da seleção.

Vinte e oito anos depois, o cenário é diferente. O futebol norueguês tem hoje uma geração de maior visibilidade, circulando pelas ligas europeias com regularidade. Mas o Brasil que chega às oitavas desta Copa de 2026 também não é o Brasil das tardes de Ronaldo. É uma seleção que precisa provar, a cada rodada, que aprendeu a jogar de forma consistente — não apenas inspirada.

O problema com o Brasil nas grandes competições recentes não foi falta de talento. Foi falta de estrutura emocional quando o adversário não cede. A Noruega é exatamente o tipo de time que não cede. Organizada, física, confortável no caos controlado. O tipo de adversária que faz o Brasil jogar onde o Brasil não gosta: no atrito, na paciência, no plano B.

Às 17h, as duas seleções entram em campo com históricos opostos nesse confronto específico. Uma nunca ganhou. A outra nunca perdeu. E esse desequilíbrio — pequeno no papel, enorme na cabeça — é exatamente onde os jogos se decidem antes do apito inicial.

O Brasil precisa ganhar da Noruega para avançar. Mas precisa também, de certa forma, ganhar de si mesmo: da memória de 1998, da superstição que acompanha esse placar histórico, da pressão de uma Copa disputada fora do continente. A Noruega entra em campo sem esse fardo. E isso, na Copa do Mundo, tem um valor que nenhuma planilha consegue calcular.

*Marcos Tibúrcio — Chefia de Esporte, Xaplin*

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Brasil enfrenta Noruega nas oitavas da Copa do Mundo

Fontes: Folha de S.Paulo · ge