Brasil goleia Haiti em jogo das Eliminatórias
Há jogos que respondem perguntas e jogos que criam outras. Análise de Marcos Tibúrcio sobre a vitória.
Análise · Marcos Tibúrcio
Há jogos que respondem perguntas e jogos que criam outras. A vitória do Brasil sobre o Haiti, na segunda rodada desta Copa do Mundo, parece, à primeira vista, do primeiro tipo — placar folgado, redes sociais em festa, Matheus Cunha e Vini Jr. dividindo os gols e o holofote. Mas quem assistiu com um mínimo de atenção sabe que o tamanho do adversário pede cautela antes do entusiasmo.
O Haiti não é um ponto de partida para medir grandeza. É, neste torneio de 48 seleções, exatamente o tipo de oponente contra o qual o Brasil tem obrigação de fazer o que fez: marcar cedo, marcar de novo, controlar. O mérito dos gols existe — Matheus Cunha fez dois, igualou Vini Jr. em número de tentos na Copa, e há algo genuinamente belo na simetria disso, dois atacantes trocando protagonismo num torneio que ainda vai cobrar muito de ambos. Mas o Haiti na segunda rodada não é prova de caráter. É, no máximo, aquecimento.
O que os memes celebram — e meme tem sua sabedoria, ainda que rasa — é a combinação de Cunha e Vini Jr. funcionando. Isso importa. A Seleção carregou por anos o peso de um centro-avante fixo que não resolvia, e a mobilidade de Matheus Cunha como referência falsa, abrindo espaço para as chegadas de Vini Jr. pela esquerda, é uma solução tática que começou a ganhar corpo nesta Copa. Se vai funcionar contra uma defesa organizada, com pressão alta e transição rápida, ainda não sabemos. Contra o Haiti, não fomos obrigados a descobrir.
A festa nas redes sociais tem sua lógica: o Brasil fez o que tinha que fazer, com estilo suficiente para animar. Mas o futebol cobra a conta quando o palco fica mais estreito.
Bruno Guimarães e Lucas Paquetá aparecem na cena da comemoração do primeiro gol — e essa imagem diz alguma coisa sobre o que esta equipe quer ser. Um time que joga junto, que comemora junto, que constrói identidade coletiva num torneio que costuma devorar individualidades isoladas. Ainda é cedo para saber se essa coesão resiste ao primeiro adversário que vier para jogar de verdade, pressionar a saída de bola, fechar os espaços que o Haiti deixou abertos generosamente.
A Copa de 2026, disputada em três países e com um formato que alonga o torneio e multiplica as armadilhas, vai exigir que o Brasil responda perguntas mais duras do que as que o Haiti fez. Matheus Cunha e Vini Jr. iguais em gols é uma boa notícia. É um capítulo simpático de uma história que ainda não chegou ao momento em que as histórias se decidem. A arquibancada sabe disso, mesmo quando ri dos memes — especialmente quando ri dos memes.
Marcos Tibúrcio, Xaplin Esporte
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
Leia o factual: Gols de Matheus Cunha e Vini Jr. contra Haiti animam redes sociais
Fontes: g1 · CNN Brasil