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Brasil empata em partida internacional

Análise de Marcos Tibúrcio sobre a matemática por trás do placar da seleção brasileira.

Brasil empata em partida internacional

Análise · Marcos Tibúrcio

Há uma matemática que o placar não resolve. O Brasil fez 1 a 1 com Marrocos na estreia desta Copa e voltou para o vestiário sem a vitória — mas seus torcedores foram para a Ponte do Brooklyn. Com batucada, fantasia de Homem-Aranha e réplica de troféu. No dia seguinte ao jogo. Como se o resultado fosse um detalhe administrativo.

Não é alienação. É outra forma de estar no mundo.

Existe uma tradição brasileira, anterior ao futebol moderno e às análises táticas, de transformar presença em festa antes mesmo de saber se a festa é merecida. O torcedor que carregou o troféu pela Ponte do Brooklyn não ignorou o empate — ele decidiu, conscientemente ou não, que a Copa pertence a ele antes de pertencer ao resultado. É uma declaração de posse. Nova York, naquele momento, era território brasileiro.

O empate contra Marrocos, porém, não pode ser engolido com batucada. A Seleção não conseguiu ser superior — e essa expressão, "não conseguiu ser superior", carrega mais peso do que parece. Não é derrota, não é catástrofe. É algo mais insidioso: uma equipe que não encontrou o caminho da dominância diante de um adversário que, nas últimas Copas, aprendeu a incomodar exatamente os times que chegam com a faixa de favorito já bordada no peito. Marrocos fez isso com Portugal e Espanha em 2022. Sabe o que está fazendo.

O 1 a 1, então, é um aviso com tom de gentileza. Poderia ter sido pior. E essa é a parte que a batucada na ponte não apaga — porque a batucada não apaga nada, ela apenas adia a conversa.

A arquibancada brasileira em Nova York fez o que sempre fez: encheu o silêncio do resultado com barulho. É um dom e, às vezes, uma armadilha.

O que a cena da Ponte do Brooklyn revela, no fundo, é a dimensão extracampo desta Copa. Os Estados Unidos recebem o torneio pela primeira vez desde 1994, e a diáspora brasileira — uma das maiores do mundo, com concentração expressiva em Nova York e arredores — transformou esta edição em algo que vai além dos noventa minutos. A Copa chegou à porta de casa para milhões de pessoas que moram longe do Brasil mas não moram longe do Brasil. Essa distinção importa.

O Homem-Aranha na ponte é filho disso. É o brasileiro que construiu vida em Nova York e encontrou, nesta Copa, uma razão pública de ser brasileiro outra vez — com troféu de plástico, tamborim e a suspensão provisória de qualquer ceticismo.

A Seleção, ela mesma, precisará decidir se vai honrar ou desperdiçar essa devoção. Um empate na estreia não elimina ninguém, mas estabelece uma dívida. A próxima partida cobrará juros. E a Ponte do Brooklyn não estará lá para cobrir o prejuízo.

Marcos Tibúrcio — Esporte

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Torcedores brasileiros ocupam Ponte do Brooklyn em Nova York

Fonte: ge