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Brasil empata em partida de Copa do Mundo

Análise de como o brasileiro transforma derrotas em oportunidades nas Copas do Mundo.

Brasil empata em partida de Copa do Mundo

Análise · Marcos Tibúrcio

Há uma tradição que o brasileiro cultivou ao longo de décadas de Copas do Mundo: a de transformar a derrota — ou, neste caso, o empate — em festa. Não por descaso com o resultado, mas porque a distância de casa exige que se ocupe o espaço disponível com o que se tem. Na manhã seguinte ao 1 a 1 com Marrocos, a Ponte do Brooklyn foi esse espaço.

O empate na estreia pesa. Marrocos não é adversário que se descarta com um aceno de mão — foi a seleção que chegou às semifinais do Catar em 2022 e que joga com uma organização que constrange qualquer romantismo com a bola. Um ponto dividido ali não é catástrofe, mas também não é o começo de história que se queria contar. A seleção brasileira entrou na Copa com o peso de uma geração que ainda busca provar que merece o que a camisa promete.

E então vieram os torcedores para a ponte.

A cena tem algo de contraditório que Nelson Rodrigues entenderia de imediato: o brasileiro é o único animal que comemora o próprio desconforto. A Folha de S.Paulo registrou a ocupação com uma expressão reveladora — "limitação de repertório". Faltaram músicas novas, faltou o hino de uma vitória recente para cantar. O repertório estava desatualizado porque a seleção não tem dado motivos novos para celebração há tempo demais. Então se cantou o que havia.

A arquibancada, quando não tem argumento técnico a seu favor, vira poesia. Vira ocupação. Vira bandeira estendida numa ponte de Nova York às custas de um empate.

Isso não é irrelevante. A mobilização brasileira nos Estados Unidos nesta Copa tem uma dimensão que vai além do folclore. A diáspora brasileira no país é numerosa, espalhada, e encontra na Copa uma razão de agregação que o cotidiano raramente oferece. A Ponte do Brooklyn não foi ocupada apesar do empate — foi ocupada por causa dele. É a resposta instintiva de quem precisa transformar a decepção em pertencimento.

O problema, e ele existe, é que a festa na ponte não vota na seleção dentro de campo. O Brasil de 2026 precisará, mais cedo do que tarde, dar ao seu torcedor algo mais sólido para cantar. Um repertório novo, para usar a metáfora da Folha, se constrói com vitórias. Com jogadas que ficam. Com um time que pareça saber o que quer quando a bola rola.

Por enquanto, há uma ponte em Nova York com bandeiras verdes e amarelas, e uma seleção com um ponto na tabela. A torcida fez sua parte. Agora é com os onze que entram em campo.

Marcos Tibúrcio, chefia de Esporte — Xaplin

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Torcida brasileira ocupa Ponte do Brooklyn após empate na Copa

Fontes: Folha de S.Paulo · UOL