O Brasil chega às oitavas. A Noruega não veio passear
Análise · Marcos Tibúrcio Há uma ilusão confortável que todo torcedor brasileiro carrega na bagagem quando a seleção chega às oitavas de final:…
Análise · Marcos Tibúrcio
Há uma ilusão confortável que todo torcedor brasileiro carrega na bagagem quando a seleção chega às oitavas de final: a de que o adversário europeu que saiu de um grupo difícil, que eliminou seleções respeitáveis, que chegou até aqui — esse adversário, no fundo, sabe que vai perder. É uma ilusão antiga. E cara.
A Noruega não veio aos Estados Unidos para compor cenário. Veio com Erling Haaland — e basta pronunciar esse nome para que a ilusão comece a rachar. Não existe volante brasileiro, não existe zagueiro brasileiro, não existe nenhuma arquitetura defensiva montada às pressas que torne Haaland um problema administrável com facilidade. Ele é alto, é rápido, é frio. É o tipo de centroavante que os narradores descrevem como "máquina" quando querem dizer que não há espaço para drama — e o drama, neste caso, seria todo nosso.
O Brasil chegou a este domingo (5) carregando o peso que sempre carrega: a expectativa de um país inteiro somada à memória de tudo que deu errado quando a expectativa era a mesma. A seleção passou pela fase de grupos. Passou. Mas passar não é convencer, e convencer não é vencer. A Copa tem dessas gradações que os boletins de desempenho não capturam.
Na outra partida do dia, México e Inglaterra disputam o segundo lugar nessa chave. Quem o Brasil enfrentar nas quartas — se chegar às quartas — depende desse resultado. Mas pensar nas quartas antes de resolver a Noruega é o caminho mais curto para a viagem de volta.
O que torna este confronto especialmente interessante é a colisão de estilos que ele anuncia. O Brasil historicamente quer a bola, quer construir, quer que o jogo passe pelos seus pés. A Noruega, em contrapartida, não precisa da bola durante noventa minutos para decidir uma partida — precisa de duas chegadas e de Haaland em condição de finalizar. É um modelo eficiente, às vezes brutal, quase sempre incômodo para quem gosta de futebol bonito e fica nervoso quando o placar está em zero a zero aos 70 minutos.
O técnico brasileiro tem uma escolha existencial pela frente: compactar o time e aceitar que o jogo será feio, ou abrir espaços apostando que a qualidade individual supera o risco coletivo. As duas opções têm precedente histórico. As duas têm também sua dose de terror.
A Copa do Mundo de 2026 chega a este domingo com o Brasil ainda inteiro, ainda vivo, ainda cheio de possibilidade. Essa é a beleza e o perigo do mata-mata: ele não perdoa diagnóstico equivocado, não aceita improviso bem-intencionado, não tem memória afetiva. A Noruega sabe disso. Resta saber se o Brasil também sabe.
Marcos Tibúrcio, Esporte — Xaplin
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
Leia o factual: Brasil enfrenta Noruega nas oitavas da Copa do Mundo 2026
Fontes: g1 · CNN Brasil