Xaplin On
Brasília
Portal Xaplin — jornalismo vivo • a revista não dorme
USD EUR GBP JPY BTC ETH SOL BNB

Mísseis perturbam a calmaria do Golfo

A tensão aumenta no Golfo. O som dos mísseis desafia a aparente paz da região.

Mísseis perturbam a calmaria do Golfo
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Clara Verdi

A calmaria tem seu próprio som, um zumbido de fundo que se confunde com paz. No Estreito de Ormuz, ele durou pouco mais de um mês. O suficiente para um presidente americano declarar as águas livres de minas, o suficiente para que a pressão voltasse a ser assunto de economistas, não de generais. E então, o barulho: um ataque americano contra a ilha de Larak, seguido por mísseis iranianos contra bases na Jordânia. A coreografia da escalada, tantas vezes ensaiada, recomeça.

O que se rompe com os ataques de domingo não é uma trégua formal, mas algo mais frágil: a suspensão temporária de uma certeza. A de que o conflito entre Washington e Teerã, depois de seis meses de escaramuças por procuração e bloqueios navais, só pode ser resolvido pela força. O Pentágono diz que agiu preventivamente, que os lançadores de foguetes em Larak preparavam-se para semear o estreito com minas marítimas. É a lógica da guerra que se antecipa à própria guerra, justificando o primeiro tiro como defesa de um tiro futuro que talvez nunca viesse. Uma profecia autorrealizável, escrita com pólvora.

Teerã respondeu. Não era possível não responder. A retaliação é uma linguagem que ambas as potências compreendem sem necessidade de tradutores, um diálogo de percussão onde cada explosão significa “eu também posso”. O drone interceptado pelos Emirados Árabes Unidos, vindo do Irã, é apenas mais uma sílaba nesse idioma bruto, uma demonstração de alcance para os vizinhos que abrigam as bases americanas.

O foco em Washington, que parecia ter se deslocado para a asfixia econômica, volta para o mapa militar. É um retorno que diz muito sobre os limites da sanção e o apelo da ação direta. O que ainda não se pode medir é se este é o espasmo final de uma política que falhou ou o primeiro movimento de uma nova fase, mais aberta e letal, na disputa pelo controle da principal artéria de petróleo do mundo. Por ora, temos apenas a troca de comunicados e o eco dos disparos na noite do deserto.

A paz no Golfo Pérsico nunca foi silêncio. Foi, quando muito, o som de motores sendo desligados à espera de uma ordem. Agora, eles foram ligados novamente. Quem dará a próxima?

Clara Verdi — Europa. Xaplin.

Leia o factual: EUA e Irã trocam ataques em Larak e Jordânia após 1 mês de calmaria

Fontes: CNN Brasil · UOL