Corinthians enfrenta crise após série de resultados negativos
Marcos Tibúrcio analisa a situação do Corinthians e os desafios enfrentados pelo clube, mergulhado em uma crise de desempenho e gestão.
Análise · Marcos Tibúrcio
Há dois tipos de abismo no futebol. Há o abismo da tabela, frio, matemático, que separa os 32 pontos do Corinthians dos 14 da Chapecoense. E há o outro, o abismo que se sente na boca do estômago, na arquibancada da Neo Química Arena às sete e meia da noite de um domingo.
O Corinthians entra em campo carregando o silêncio amargo de um clássico perdido para o Santos. Décimo lugar é uma espécie de limbo, uma posição que não inspira o canto e nem justifica a fúria total. É o lugar da desconfiança, onde cada passe errado ecoa como uma profecia, cada bola recuada para o goleiro arranca um suspiro coletivo que parece dizer: de novo não. O time joga contra a Chapecoense, mas também contra o fantasma do que deveria ser.
Do outro lado, a Chapecoense. O clube de Chapecó chega a São Paulo com a dignidade dos condenados. Último lugar. Lanterna. A equipe vem de uma derrota de virada para o Grêmio e pisa no gramado sabendo que, para o resto do campeonato, todo adversário é um Golias. Não se espera heroísmo, apenas um atestado de comparecimento. Mas é aí que mora o perigo, a armadilha que a história do futebol monta e remonta com uma crueldade poética. O time que não tem nada a perder é, frequentemente, o que tem tudo a ganhar.
Esta noite não se decide um campeonato. Talvez nem sequer uma vaga em competição continental. O que se decide é o tamanho de cada crise. A Chapecoense joga para provar que a morte anunciada na tabela é apenas uma estatística, não um epitáfio. O Corinthians, por sua vez, joga por algo mais traiçoeiro: a obrigação. A obrigação de vencer o último colocado, em casa, para estancar a ferida de um clássico. É uma vitória que, se vier, será tratada como nada mais que o dever; um tropeço, contudo, seria o drama em estado puro.
Um olhar mais cínico poderia ver a partida como um mero cumprimento de calendário, uma formalidade. Pode até ser. Mas o futebol despreza o roteiro óbvio.
Qual dos dois abismos, então, se mostrará mais fundo quando a bola rolar: o da matemática que condena a Chapecoense ou o da melancolia que assombra o Corinthians?
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
Leia o factual: Corinthians e Chapecoense jogam às 19h30 na Neo Química Arena
Fontes: CNN Brasil · ge