Vitória por 3 a 0 foi suada, apesar do placar
Apesar do placar, a partida foi disputada. A vitória da equipe demandou esforço maior do que o placar final sugere.
Análise · Marcos Tibúrcio
O placar, ao fim da noite, anunciava uma paz que não houve. Três a zero. Para o burocrata das estatísticas, é o carimbo da superioridade, a chancela do passeio. Brasil sobre a Colômbia, sem perder um único set, líder do Pré-Olímpico. Números de uma equipe que caminha sem tropeços rumo a Los Angeles. Mas o placar, essa invenção fria, não conta o suor que escorreu grosso, nem o silêncio que pairou por um instante no ginásio.
Houve momentos em que a rede pareceu mais alta. Momentos em que a bola colombiana, teimosa, buscava o chão brasileiro e o encontrava. A arquibancada, que chegara para um rito de confirmação, se viu roendo unhas, impaciente, como quem espera um resultado de exame. O que se viu na quadra não foi uma procissão, mas uma briga. Uma briga vencida, sim, mas daquelas que deixam marcas.
A maior delas tem nome e sobrenome: Rosamaria. A sua saída, lesionada, foi o instante em que o drama superou o esporte. Uma atleta que cai não é uma peça substituída no tabuleiro; é um corpo que sente, um plano que se quebra, uma vaga olímpica que, por um segundo, parece mais distante. A vitória continuou sendo construída, ponto a ponto, mas um fantasma sentou-se no banco de reservas. É o preço invisível da campanha perfeita.
Talvez toda a jornada se resuma a isso — fazer o difícil parecer rotina. Acumular vitórias por 3 a 0 que, vistas de perto, foram batalhas duras, cheias de pontos complicados e sustos. O registro oficial dirá que o Brasil passou ileso. Quem viu, porém, sabe que a invencibilidade custa caro.
A seleção segue na ponta da tabela, com a matemática a seu favor. Mas o vôlei, como tudo que importa, não se resume a ela. Resta saber qual conta o corpo cobrará ao final da jornada.
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
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Fonte: ge