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Neymar retorna aos treinos do Real Madrid após lesão

Ancelotti comenta retorno do jogador após quase mil dias afastado por lesão.

Neymar retorna aos treinos do Real Madrid após lesão

Análise · Marcos Tibúrcio

Quase mil dias é tempo demais para qualquer coisa. Para uma lesão, para um exílio, para uma ausência que o torcedor vai deixando de sentir até o dia em que percebe que já não espera mais. Neymar ficou fora da Seleção esse tempo todo — e quando voltou, o homem que o viu jogar pela primeira vez como técnico da canarinha não usou a linguagem fria do futebol moderno. Carlo Ancelotti, que já treinou Zidane e Ronaldo, que viu de perto grandezas do tipo que dispensa adjetivo, disse que Neymar tem "a paixão de um menino para jogar".

A frase merece ser lida devagar. Não é elogio de protocolo. Ancelotti não é homem dado a protocolo — é homem dado à observação. E o que ele observou, nessa volta, foi algo que o tempo longo de afastamento poderia ter corroído sem deixar marca visível: o desejo. A vontade de estar em campo que não se finge, que o próprio corpo trai quando está ausente. Em Neymar, segundo o técnico, ela permanece.

O contexto importa. A Copa do Mundo de 2026 já começou — onze de junho, em solo americano — e o Brasil chega a ela carregando a pressão habitual de quem não levanta a taça há mais de duas décadas, acrescida agora de uma incógnita de nome próprio. Neymar era, há alguns anos, a certeza. Tornou-se, por força das lesões e do tempo, uma pergunta. Ancelotti, ao elogiá-lo publicamente depois de vê-lo em campo pela primeira vez com a Seleção sob seu comando, começa a transformar a pergunta em argumento.

Mas argumento não é resposta. E a Copa não perdoa argumentos — só resultados.

O que a volta de Neymar representa, dentro e fora de campo, é a recomposição de uma narrativa que o Brasil insiste em precisar. Não porque um único jogador ganhe Copa do Mundo — nenhum ganha —, mas porque a Seleção Brasileira, desde Pelé, desde Garrincha, funciona melhor quando tem um nome em torno do qual a equipe se organiza emocionalmente. Neymar foi esse nome durante anos. Depois vieram as lesões, as polêmicas, o silêncio. E agora, com Ancelotti à beira do campo e a Copa em andamento, ele reaparece.

Há algo de teatral nisso que não é forçado — é genuíno. O futebol brasileiro tem essa vocação para o drama que não é fraqueza: é identidade. E Neymar, queira-se ou não, é um personagem dramático no sentido mais rigoroso da palavra. Sua ausência pesou. Seu retorno tem peso também.

Ancelotti viu o menino ainda ali. O que a Copa vai revelar é se o jogador que esse menino habita ainda consegue, quando a pressão aperta e o placar está em aberto, fazer o que só ele sabe fazer do jeito que só ele faz. Isso nenhum elogio garante. Só o jogo responde.

**Marcos Tibúrcio — Esporte**

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

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Fonte: ge