Na Argentina, a derrota tem outro peso
Análise · Marcos Tibúrcio Há derrotas que são apenas placares. Outras, são feridas abertas.
Análise · Marcos Tibúrcio
Há derrotas que são apenas placares. Outras, são feridas abertas. Em Zárate, na Argentina, a seleção feminina de basquete perdeu por 72 a 66. Para as estatísticas, foi uma semifinal de Classificatório Sul-Americano. Para a alma, foi outra coisa. Foi uma derrota para a Argentina, em solo argentino.
A vaga na Copa América de 2027 já estava no bolso, carimbada contra o Paraguai. O que se jogava no sábado não era o futuro, era o presente. Era a honra. E em um ginásio que certamente respirava azul e branco, o Brasil caiu. Uma diferença de seis pontos. Duas ou três bolas que poderiam ter caído do nosso lado, mas escolheram o aro deles. É o drama do esporte, essa conspiração dos objetos inanimados.
A solidão dos números
Léo Figueiró, o técnico, viu um trio se agigantar. Bella Nascimento, com 22 pontos. Aaliyah Guyton, com 18. Heloísa Carrera, com 12. Juntas, elas marcaram 52 dos 66 pontos da equipe. Foi um esforço hercúleo e solitário, um testemunho de que havia gente ali disposta a brigar até o último segundo. Mas basquete não é atletismo. É um esporte coletivo, e a aritmética da quadra é cruel. A soma das partes argentinas foi maior.
Agora, a disputa é pelo bronze, contra a Colômbia. O prêmio de consolação, a medalha que serve para lembrar que você chegou perto. É um jogo ingrato, disputado com o gosto amargo da véspera ainda na boca. O pódio é uma obrigação, mas o ouro, que era o desejo, já tem outro dono esperando por ele.
A classificação para o torneio continental dilui a dor, mas não a apaga. A missão principal foi cumprida dias antes. O clássico, porém, era um campeonato à parte. E nesse, o resultado foi adverso. Saímos de quadra com a vaga garantida e a rivalidade ferida. É o saldo de quem joga para ser campeão.
Resta saber o que se leva de uma noite como essa. Apenas a certeza da vaga ou a cicatriz de uma derrota que, por ter sido para elas e na casa delas, valia muito mais que um lugar no pódio?
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
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Fonte: ge