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Mudanças Climáticas em 2026 — O Ano em Que o Tempo Parou de Avisar

O Brasil no centro da crise O Brasil aparece no relatório como um dos países mais afetados.

Internacional — Clima

O relatório anual do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado nesta segunda-feira em Genebra, traz dados que confirmam o que cientistas temiam: 2025 foi o ano mais quente já registrado, a temperatura média global ultrapassou o limiar de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais em seis dos doze meses, e os eventos climáticos extremos aumentaram 23% em relação a 2024.

O Brasil no centro da crise

O Brasil aparece no relatório como um dos países mais afetados. A seca de 2025 no Sudeste foi a pior em 91 anos, com reservatórios de São Paulo operando a 28% da capacidade em outubro. O Pantanal perdeu 18% de sua área inundável. E a Amazônia registrou o segundo maior número de focos de incêndio da série histórica — superado apenas por 2020.

Ao mesmo tempo, o Sul do Brasil enfrentou enchentes históricas: o Rio Grande do Sul, que já havia sofrido a catástrofe de maio de 2024, registrou novas inundações em outubro de 2025, com 42 mortes e 200 mil desabrigados. O padrão é claro: o Brasil não está se aquecendo uniformemente — está se polarizando. Onde deveria chover, seca. Onde não deveria inundar, inunda.

"O clima não está 'mudando'. Está se desestabilizando. E a diferença entre mudança e desestabilização é a diferença entre adaptação e colapso."

Os números globais

Temperatura média global em 2025: +1,48°C acima dos níveis pré-industriais (1850-1900). Meses acima de +1,5°C: janeiro, fevereiro, julho, agosto, setembro e novembro. Nível do mar: +4,2mm em relação a 2024 (acumulado de 23cm desde 1900). Gelo ártico: mínimo recorde em setembro, com 3,2 milhões de km² — 28% abaixo da média de 1981-2010.

A janela que está se fechando

O relatório do IPCC calcula que, para limitar o aquecimento a 2°C (a meta do Acordo de Paris, já que 1,5°C está praticamente perdido), as emissões globais de CO2 precisam cair 43% até 2030. Em 2025, as emissões subiram 1,1%. A trajetória atual aponta para +2,7°C até 2100 — cenário em que cidades costeiras como Miami, Xangai e Recife enfrentam inundações permanentes, secas extremas tornam a agricultura inviável em regiões tropicais, e migrações climáticas deslocam centenas de milhões de pessoas.

O IPCC não faz previsões — faz projeções baseadas em cenários. Mas a distinção importa cada vez menos quando todos os cenários apontam na mesma direção: para cima.

Redação Xaplin