O prazer como linguagem — Ensaio sobre comunicação íntima

Sexualidade & Afeto Por Dra. Renata Campos, sexóloga Existe uma conversa que a maioria dos casais nunca tem.

À MEIA-LUZ — Sexualidade & Afeto

Por Dra. Renata Campos, sexóloga


Existe uma conversa que a maioria dos casais nunca tem. Não por vergonha — por falta de vocabulário.

Falar sobre desejo exige uma linguagem que não aprendemos. A escola ensina biologia reprodutiva. A pornografia ensina performance. Nenhuma das duas ensina comunicação íntima.

O silêncio que adoece

Em 15 anos de clínica, posso afirmar: 80% dos problemas sexuais que atendo não são físicos. São comunicacionais. Casais que se amam, que se desejam, mas que não conseguem traduzir esse desejo em palavras.

"Eu quero mais" vira "está bom assim." "Eu gostaria de experimentar" vira silêncio. "Eu não estou sentindo prazer" vira fingimento.

Três exercícios para começar

1. O "eu gosto quando...": Cada um completa a frase, alternadamente, sem julgamento. Comece pelo simples: "Eu gosto quando você segura minha mão." Avance gradualmente.

2. O mapa do corpo: Com os olhos fechados, guie a mão do parceiro pelo seu corpo. Sem falar — apenas direcionando. É uma conversa sem palavras que ensina mais que qualquer manual.

3. A carta de desejo: Escreva ao parceiro uma carta descrevendo uma fantasia, um desejo ou uma memória íntima. A escrita remove a pressão do olho no olho.

"O prazer é uma linguagem. E como toda linguagem, se aprende praticando."

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