Xaplin On
Brasília
Portal Xaplin — jornalismo vivo • a revista não dorme
USD EUR GBP JPY BTC ETH SOL BNB

LA 2028: a contagem começa por elas

Análise · Marcos Tibúrcio A dois anos das luzes de Los Angeles se acenderem, o Brasil começou a sua contagem de atletas olímpicos.

LA 2028: a contagem começa por elas
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Marcos Tibúrcio

A dois anos das luzes de Los Angeles se acenderem, o Brasil começou a sua contagem de atletas olímpicos. O placar, por ora, registra 23 a zero. Vinte e três nomes femininos, zero masculinos. Um número que não é estatística, é prólogo. É o retrato de um país que, antes de pensar em pódios e metas, aprende a escalar a montanha pelo lado que parece mais íngreme.

O número, frio em sua essência, ganhou corpo no sábado. Veio de um tablado de ginástica rítmica, não de um gramado ou de uma pista de tartã. Um conjunto de cinco moças, sob os acordes de Lady Gaga e um clássico do jazz, conquistou uma medalha de bronze no Mundial. Um bronze que valia ouro: a vaga antecipada, a primeira da história da modalidade. O que se viu ali foi menos o cumprimento de uma tabela de pontos e mais a afirmação de que a força pode vir embrulhada em graça, e a precisão, em um collant brilhante.

Elas se juntaram a outras dezoito. As dezoito mulheres da seleção de futebol, que carimbaram o passaporte com a autoridade de quem levantou a taça da Copa América em 2025. Com Marta e sem ela, a camisa amarela do futebol feminino se acostumou a abrir caminhos que, por décadas, pareceram fechados, exclusivos a chuteiras masculinas.

Vinte e três. Cinco ginastas, dezoito jogadoras. O número é provisório, claro. O vôlei, o hipismo, o surfe e tantas outras modalidades ainda farão seus chamamentos. Homens virão, e em grande número, como sempre vieram. Mas a história dos Jogos de 2028, para o Brasil, já tem sua primeira página escrita. E a assinatura é delas.

Num país onde o esporte ainda se mede com a régua do futebol de domingo, essa dianteira exclusiva das mulheres não é um acaso. É um recado. Um recado sobre resiliência, sobre buscar espaço onde ele é escasso e reconhecimento onde ele tarda. É a ginasta que treina oito horas por dia longe dos holofotes, a jogadora que ouviu a vida inteira que aquele campo não era para ela.

Los Angeles ainda é um ponto no horizonte. Muitas batalhas por vagas serão travadas até lá. Mas a primeira fotografia do Time Brasil para 2028 já foi tirada. Quem estará no pódio? Impossível dizer. Mas quem chegou primeiro à festa, nós já sabemos.

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Brasil soma 23 vagas femininas nas Olimpíadas Los Angeles 2028

Fonte: ge