Julgamento de mãe por morte dos 3 filhos impulsiona debate
Defesa de Lindsay Clancy, internada em Massachusetts, alega que ela sofria de alucinações e delírios após o terceiro parto.
Factual · Plantão Xaplin · checado em 2 fontes independentes
O julgamento da norte-americana Lindsay Clancy, acusada de matar seus três filhos — Cora, de cinco anos, Dawson, de três, e Callan, de oito meses —, abriu um debate sobre a psicose pós-parto e as complicações de saúde mental que mulheres podem enfrentar após o parto. Internada em um hospital psiquiátrico de Massachusetts, nos Estados Unidos, Clancy não nega os assassinatos, mas declarou inocência das acusações de homicídio.
A defesa alega que ela sofria de psicose pós-parto no momento dos crimes, com sintomas de alucinações e delírios após o nascimento do terceiro filho. Paul Zeizel, psicólogo clínico e forense, afirmou nesta quarta-feira (19) que "ela era incapaz de adequar seu comportamento às normas legais e não compreendia a ilegalidade de seu ato". Um mês antes dos crimes, Lindsay já havia confidenciado à mãe e ao marido sobre "pensamentos de fazer mal às crianças", segundo testemunho da mãe, Paula Musgrove.
A promotoria, por sua vez, sustenta que Clancy tomou uma decisão calculada para tirar a vida dos filhos. A psicose pós-parto é uma condição rara e grave, considerada uma emergência médica. Segundo Susan Hatters-Friedman, professora de psiquiatria forense da Case Western Reserve University, "o termo psicose, em geral, implica que a pessoa perdeu o contato com a realidade; isso geralmente inclui alucinações — ouvir ou ver coisas que não estão ali — e delírios, que são crenças falsas e arraigadas que não estão de acordo com a cultura da pessoa."
Embora seja uma das doenças mais severas que uma mulher pode desenvolver após o parto, a psicose pós-parto ainda não é classificada nos manuais médicos de psiquiatria. Em casos graves e atípicos, a condição pode levar pacientes a machucar a si mesmas ou a outros, e até mesmo a cometer homicídio.
Fontes: Folha de S.Paulo · BBC News Brasil
Este conteúdo não substitui orientação médica individual. Em caso de dúvida, procure um serviço de saúde.
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