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Jacareí se consolida como berço do rúgbi brasileiro

Jacareí consolida-se como polo do rúgbi nacional, com sua história e desenvolvimento marcantes no esporte.

Jacareí se consolida como berço do rúgbi brasileiro
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Marcos Tibúrcio

Há um mapa do rúgbi no Brasil, e ele não se desenha nas capitais ensolaradas ou nos gabinetes da confederação. Ele é traçado em cidades como Jacareí. De lá, do Vale do Paraíba, saem agora três nomes para vestir a camisa do Brasil em Hong Kong: Giovana Mamede, Mariana Moreira, Mariana Neves. Não são três números numa lista. São três histórias.

Giovana Mamede já sentiu o peso de uma Copa do Mundo. Pisou na grama da Inglaterra no ano passado. Carrega nas pernas o que os manuais de treino não ensinam — a memória da derrota, o som de um estádio que não é seu. É a veterana, a fiadora do grupo. Ao seu lado, Mariana Moreira carrega outro tipo de memória: a da ausência. Foi suplente para aquele mesmo Mundial. Ficou na soleira da porta, sentiu o cheiro da glória sem provar do banquete. A convocação, para ela, tem sabor de reparação.

E há Mariana Neves. Aos 21 anos, é a juventude que já sabe o que é ser campeã. Tem o ouro dos Jogos Pan-americanos da Juventude de 2025, o ouro dos Sul-Americanos de 2022. Conhece o caminho do pódio, ainda que em outras escalas. A federação aposta no futuro; ela responde que o futuro começou ontem.

A fábrica de camisas amarelas

A convocação, porém, fala menos da seleção e mais do clube. É em Jacareí que a força se acumula, longe dos holofotes, no trabalho diário que transforma meninas em atletas de seleção. Um clube que, no masculino, levanta o Paulista e o Super 12, prova que o projeto é solo firme, não espasmo de uma geração. O sucesso não é um raio em céu azul; é colheita.

O Brasil que vai a campo em Hong Kong contra as donas da casa, contra os Países Baixos e contra a Espanha, foi semeado ali, naquelas quatro linhas do interior paulista.

Claro, a história ainda não está escrita. Uma convocação é apenas a promessa de uma batalha. Se a experiência de Mamede, a fome de Moreira e o ímpeto de Neves serão suficientes para mudar o patamar do rúgbi brasileiro na segunda divisão mundial, é algo que só o campo dirá. O esporte, afinal, é mestre em frustrar roteiros bem desenhados.

Mas enquanto a bola não sobe, a imagem que fica é a de um clube de cidade média fornecendo a argamassa para uma seleção nacional. O Brasil se faz nos Brasis. E um pedaço importante dele, hoje, atende pelo nome de Jacareí. Quantos outros clubes-nação existem por aí, anônimos, fabricando o futuro?

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

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Fonte: ge