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Haaland, Messi e Mbappé: uma artilharia com três faces

Análise · Marcos Tibúrcio Erling Haaland marcou dois gols contra o Brasil no domingo e eliminou a Seleção.

Haaland, Messi e Mbappé: uma artilharia com três faces
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Análise · Marcos Tibúrcio

Erling Haaland marcou dois gols contra o Brasil no domingo e eliminou a Seleção. Fez isso com a naturalidade de quem cumpre uma rotina — o que, neste Mundial, é exatamente o que ele tem feito. A Noruega avançou. O Brasil foi para casa. E Haaland foi para o topo de uma disputa que, na Copa do Mundo de 2026, tornou-se tão dramática quanto qualquer decisão de mata-mata.

A artilharia desta Copa tem três nomes que se revezam no primeiro lugar, gol a gol, rodada a rodada: Haaland, Lionel Messi e Kylian Mbappé. Harry Kane aparece no mesmo pelotão. Mas a corrida, quando observada com atenção, não é apenas numérica. É geracional, estética e, em certa medida, testamentária.

Messi, aos 38 anos, disputou seu sexto Mundial — marca igualada por Cristiano Ronaldo e pelo goleiro mexicano Guillermo Ochoa. No arranque desta Copa, fez três gols contra a Argélia, alcançou os 16 de Miroslav Klose e, na rodada seguinte, contra a Áustria, fez mais dois e destruiu o recorde. Chegou a 20 gols em Copas do Mundo. Está isolado na história. É um número que, dito assim, parece abstrato; vivido jogo a jogo, é perturbador. Não há mais parâmetro humano para medir Messi em Mundiais.

No embolado primeiro lugar da artilharia de 2026, Mbappé tem a vantagem no critério de desempate: duas assistências no torneio, enquanto Haaland e Messi continuam sem nenhuma.

Mbappé, por sua vez, chegou a este torneio já tendo superado Olivier Giroud como maior artilheiro da história da França — o 58º gol pela seleção veio logo na estreia, diante do Senegal, aos 27 anos. Giroud, comentarista da BBC One na partida, disse que estava feliz e que fazia sentido. Era a elegância de quem entende que foi ultrapassado por algo maior do que qualquer rivalidade pessoal. O especialista Julien Laurens foi além: acredita que Mbappé se tornará o maior jogador da história do país. É uma afirmação que carrega o peso de Platini, Zidane e toda uma tradição.

E então há Haaland — norueguês, frio, mecânico na eficiência, desconcertante na escala. Ele não carrega o romantismo de Messi nem a trajetória épica de Mbappé como herdeiro de uma nação futebolística. Carrega gols. E o que fez ao Brasil no domingo foi apenas o capítulo mais recente de uma Copa em que ele tem funcionado como uma equação sem variável emocional visível.

O que esta artilharia de 2026 revela, afinal, não é só quem marca mais. É a sobreposição de três épocas distintas do futebol mundial num mesmo torneio: Messi, que já pertence à eternidade e ainda joga; Mbappé, que está no processo de construir a sua; e Haaland, que ainda não sabemos bem o que será, mas que, a cada Copa, parece mais disposto a decidir isso nos gramados — e não nas conversas.

O Brasil sabe disso melhor do que ninguém, agora.

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Haaland amplia liderança na artilharia da Copa após gols contra Brasil

Fontes: Folha de S.Paulo · BBC News Brasil