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Excesso de geração de energia elétrica força ONS a frear rede

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) implementou o corte de energia pela primeira vez em junho.

Ilustração editorial: Excesso de geração de energia elétrica força ONS a frear rede
Ilustração editorial gerada por IA · Ateliê Visual Xaplin

Factual · Plantão Xaplin · checado em 2 fontes independentes

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) implementou, em 7 de junho, um plano emergencial para limitar o fluxo de eletricidade na rede, marcando a primeira vez que a medida foi acionada desde a aprovação do plano, em novembro do ano passado. A ação visa a conter o excesso de oferta de energia, um problema inverso ao apagão de 2001, que atingiu 16 estados e o Distrito Federal por alta demanda.

O ONS, que coordena a geração e distribuição de energia no país, aplicou o "curtailment" – corte ou redução da geração – principalmente em parques eólicos e solares. A medida, segundo o órgão, foi uma "ação excepcional adotada para o processo de controle de frequência do sistema elétrico", justificada pela alta geração combinada a um consumo menor durante o feriado prolongado de Corpus Christi, com temperaturas baixas. Cortes semelhantes ocorreram em dias de jogos da seleção brasileira na Copa.

A situação é impulsionada pelo forte avanço da geração solar distribuída, que desequilibra a oferta e demanda de energia. Conforme dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), 4,5 milhões dos cerca de 90 milhões de consumidores também são micro e minigeradores de energia via painéis solares. Desses, 3,6 milhões são residenciais e 400 mil comerciais, recebendo créditos pelos quilowatts inseridos no sistema.

Joisa Dutra, diretora do Centro de Estudos em Regulação e Infraestrutura da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Ceri), ressalta que o sistema elétrico exige que oferta e demanda sejam equivalentes para operar corretamente. Ao contrário do passado, o país não depende apenas de grandes usinas, que podem ser ligadas ou desligadas conforme a necessidade. O ONS não informou se novos cortes estão planejados ou as expectativas para o equilíbrio da rede nos próximos meses.

Fontes: g1 · BBC News Brasil