EUA condicionam visto de Viotti ao aval a embaixador de Trump
Daniel Perez foi indicado em 1º de junho e espera o agrément brasileiro há mais de 30 dias; não há prazo para a resposta.
O governo dos Estados Unidos condicionou a devolução do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti, ao aval brasileiro para que Daniel Perez assuma a embaixada americana em Brasília. Um porta-voz do Departamento de Estado tratou a revogação como medida recíproca à demora do Itamaraty em conceder o agrément — o consentimento formal de um país ao chefe de missão diplomática indicado por outro.
Perez preside a Assembleia Legislativa da Flórida e foi indicado em 1º de junho para um posto vago desde janeiro de 2025. Passou por sabatina na Comissão de Relações Exteriores do Senado americano em 16 de julho e foi aprovado pelo colegiado no dia 22; o plenário ainda não votou o nome. Do lado brasileiro, já se passaram mais de 30 dias desde o pedido de agrément, sem prazo para resposta.
Washington deu início aos trâmites internos antes de consultar Brasília, invertendo a praxe. “A praxe diplomática é a submissão do nome de maneira sigilosa, de maneira reservada. No fundo, é uma desconsideração em relação ao país que recebe”, disse o embaixador aposentado Sérgio Moreira Lima, que representou o Brasil em Israel e em outros três países.
Viotti não será expulsa: pode permanecer nos Estados Unidos sem visto válido, mas, se deixar o país, não poderá voltar. O Ministério das Relações Exteriores não respondeu aos pedidos de comentário da Folha de S.Paulo. O porta-voz americano afirmou que novas sanções contra o Brasil não estão descartadas.
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Fontes: g1 · Folha de S.Paulo