\\\\n\\\\n\\\\n\\\\n\\\\n\\\\n\\\\n\\n\n

O Estreito Fechado — O Mundo Segura a Respiração Enquanto o Petróleo

A crise no Estreito de Ormuz e seus impactos no mundo e no Brasil.

Brasil — Economia

A inflação medida pelo IPCA acumulou 4,31% nos últimos 12 meses, acima do centro da meta (3,0%) mas dentro do teto de tolerância (4,5%). A Selic, mantida em 14,25% pelo Copom em sua última reunião, reflete a cautela do Banco Central diante de um cenário que combina pressão cambial (dólar a R$ 5,78), risco fiscal (déficit primário acima da meta) e choque externo (tarifas de Trump).

O paradoxo brasileiro

O Brasil de abril de 2026 é um país paradoxal: tem o menor desemprego em 12 anos (8,3%) e os juros mais altos em 10 (14,25%). Emprega mais gente do que nunca e cobra mais caro por crédito do que quase todo o mundo desenvolvido. A explicação está na inflação de serviços — que acumula 6,8% em 12 meses, bem acima do IPCA cheio — e na inércia inflacionária: quando expectativas de inflação sobem, a inflação sobe de fato, mesmo sem choque adicional.

O Banco Central, sob Roberto Campos Neto até dezembro de 2025 e agora sob Gabriel Galípolo, manteve a postura conservadora: juros altos até que a inflação convirja para a meta. O custo é crescimento mais lento (PIB projetado de 1,8% para 2026, contra 3,1% em 2025). O benefício, se funcionar, é inflação controlada no médio prazo.

"Selic a 14,25% é remédio amargo. O Banco Central diz que é necessário. O governo diz que é excessivo. O cidadão diz que o boleto não espera nenhum dos dois concordarem."

O que pressiona a inflação

Câmbio: O dólar a R$ 5,78 encarece importações — combustíveis, eletrônicos, trigo, fertilizantes. Cada R$ 0,10 de desvalorização do real adiciona 0,15 a 0,20 ponto percentual ao IPCA em 6 meses.

Tarifas americanas: As tarifas de Trump, ao reduzirem exportações brasileiras, diminuem a entrada de dólares e pressionam o câmbio. Efeito indireto, mas real.

Serviços: Aluguéis (+18%), planos de saúde (+10%), educação (+8%), restaurantes (+7%). São preços que resistem a juros altos porque dependem de mão de obra — e mão de obra, com desemprego baixo, fica mais cara.

Quando os juros caem?

O mercado projeta primeiro corte da Selic em setembro, se a inflação ceder. O cenário mais otimista aponta para Selic de 12% no fim de 2026. O mais pessimista, para 14,25% até dezembro — caso as tarifas de Trump provoquem nova rodada de desvalorização cambial. Até lá, o brasileiro que poupa ganha; o que deve, sofre. E no Brasil, como sempre, a maioria deve.

Redação Xaplin