Especialistas defendem gestão indígena em restauração de terras
A recuperação vai além do plantio de árvores e foca em segurança alimentar, conhecimentos tradicionais e geração de renda.
Factual · Plantão Xaplin · fonte oficial
No Dia da Amazônia, especialistas destacaram neste sábado (5) a urgência de investimentos na restauração de terras degradadas em territórios indígenas. A abordagem defendida vai além do simples plantio de árvores, buscando envolver as comunidades no processo de recuperação.
Segundo a Agência Brasil, a restauração pode proteger nascentes, aumentar a segurança alimentar, resgatar espécies usadas pelas comunidades, fortalecer conhecimentos tradicionais e gerar renda. O Brasil se comprometeu a restaurar mais de 163 mil quilômetros quadrados até 2030, um dado apresentado durante a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), realizada em Ulaanbaatar, na Mongólia.
Dados do TerraClass de 2022 indicam que as terras indígenas na Amazônia somam 952,3 mil hectares de áreas degradadas, ocupadas predominantemente por pastagens. Outros 24,4 mil hectares são destinados à agricultura e 18,9 mil hectares à mineração. Além disso, foram identificados 840,5 mil hectares de vegetação secundária, totalizando um potencial de restauração de 1,79 milhão de hectares dentro dessas terras.
A indígena do povo Kaingang e especialista da The Nature Conservancy Brasil (TNC), Diana Nascimento, afirmou que a medição do sucesso deve ir além do número de hectares recuperados. “Quando os povos indígenas assumem o protagonismo da restauração, o território deixa de ser visto apenas como uma área onde precisamos recuperar vegetação e passa a ser entendido a partir de sua relação com as pessoas, a cultura, a alimentação, os conhecimentos tradicionais e os modos de vida”, disse Diana.
Apesar das pressões, as terras indígenas permanecem entre as áreas mais conservadas do país. Conforme o Relatório Anual do Desmatamento do MapBiomas, apenas 1,7% de toda a perda de vegetação nativa registrada no Brasil entre 2019 e 2025 ocorreu dentro desses territórios.
Fonte: Agência Brasil
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