Espanha ignorou alertas de sindicatos sobre migração em Ceuta
Agentes fronteiriços alertaram sobre o aumento de chegadas por mar antes da onda que trouxe 70 mil pessoas.
Factual · Plantão Xaplin · checado em 2 fontes independentes
Sindicatos de trabalhadores da fronteira de Ceuta afirmaram que o governo da Espanha desconsiderou alertas sobre a intensificação da chegada de imigrantes por mar, semanas antes de mais de 70 mil pessoas entrarem no enclave espanhol em julho. Agentes fronteiriços expressaram preocupação com uma possível escalada do conflito, mas as autoridades espanholas tomaram poucas medidas, segundo informaram os sindicatos à agência Reuters.
Os alertas públicos e privados, vistos pela Reuters, destacam que as autoridades foram avisadas sobre o aumento das chegadas ao enclave no Norte da África. Uma decisão judicial espanhola, publicada em 29 de junho, declarou que imigrantes só poderiam ser imediatamente impedidos de entrar em Ceuta se cruzassem uma barreira física, não ao nadarem até o enclave.
A notícia da decisão judicial, combinada com vídeos de imigrantes que conseguiram entrar, incentivou mais pessoas a tentarem a travessia. "A decisão judicial provocaria mais chegadas. A decisão, as gangues criminosas e as redes sociais formavam um coquetel explosivo", disse Rachid Sbihi, porta-voz do sindicato da Guarda Civil Espanhola (AUGC) em Ceuta, à Reuters.
Questionado sobre as críticas, um porta-voz do Ministério do Interior espanhol afirmou que as autoridades estudaram diversas opções após a decisão judicial e instalaram uma barreira flutuante no oceano em 1º de agosto, 48 horas depois da decisão. As autoridades espanholas confirmam 80 mortes na travessia em massa em Ceuta nos dias 29 e 30 de julho; autoridades marroquinas recuperaram 14 corpos, totalizando 94 mortes. Grupos de direitos humanos alertam que mais pessoas seguem desaparecidas, e o número de óbitos pode ser maior.
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