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A Era Invisível da IA

A IA se torna invisível no cotidiano. Análise das transformações de 2026.

Cultura — Cinema

"Ainda Estou Aqui", de Walter Salles, ganhou o Oscar de Melhor Filme Internacional em fevereiro de 2026 — e o Brasil, que nunca havia vencido a categoria, finalmente se viu no palco que sempre mereceu ocupar. A vitória não foi surpresa (o filme liderava as apostas desde Veneza), mas a emoção foi: Fernanda Torres chorou. Walter Salles chorou. O Brasil chorou. E, pela primeira vez em muito tempo, chorou de orgulho.

O filme

"Ainda Estou Aqui" conta a história de Eunice Paiva — esposa de Rubens Paiva, deputado desaparecido pela ditadura militar em 1971. Mas Walter Salles fez algo mais sutil e mais poderoso do que um filme sobre ditadura: fez um filme sobre persistência. Sobre a mulher que ficou. Sobre o que significa continuar existindo quando tudo conspira para apagar você.

Fernanda Torres — filha de Fernanda Montenegro, indicada ao Oscar em 1999 por "Central do Brasil" — entregou uma atuação que redefine contenção. Eunice não grita, não faz monólogos. Ela resiste em silêncio, em gestos, em olhares que dizem tudo. A mãe não ganhou o Oscar; a filha ganhou — e a simetria é quase literária demais para ser real.

"O Oscar não valida o cinema brasileiro. O cinema brasileiro já era válido. Mas o Oscar abre portas — e portas abertas são sempre boas."

O impacto

A vitória gerou efeito cascata imediato: a Netflix fechou distribuição em 190 países. Seis roteiristas brasileiros foram convidados para residências em Hollywood. A Embrafilme recebeu R$ 200 milhões adicionais no orçamento. Produtoras internacionais que ignoravam o Brasil agora respondem e-mails.

Mas o Oscar é porta, não destino. O desafio agora é converter atenção internacional em sustentabilidade doméstica: mais salas exibindo filmes brasileiros, mais público pagante, mais investimento em produção. O Brasil produz cinema de classe mundial. Falta que o próprio Brasil acredite nisso — e pague o ingresso para provar.

Redação Xaplin