Xaplin On
Brasília
Portal Xaplin — jornalismo vivo • a revista não dorme
USD EUR GBP JPY BTC ETH SOL BNB

Endrick no banco revela indecisão de Dorival na Seleção

Análise sobre a escolha de deixar Endrick no banco de reservas e o que isso revela das prioridades técnicas da Seleção Brasileira.

Endrick no banco revela indecisão de Dorival na Seleção

Análise · Marcos Tibúrcio

Há uma pergunta que o técnico da Seleção preferiu não responder em campo, e que o banco de reservas vai responder por ele. Endrick começa fora do time titular contra o Haiti. Não é suspensão, não é lesão. É escolha. E escolha, em Copa do Mundo, tem peso de sentença.

O jovem que carregou nas costas o orgulho de uma geração inteira de torcedores — aquele menino que chegou ao Real Madrid antes de completar dezoito anos e que foi apresentado ao mundo como a próxima encarnação do futebol brasileiro — vai assistir ao início do jogo da arquibancada técnica. Num torneio que se joga em dezoito dias de fase de grupos, cada minuto tem custo diferente. Começar sentado é começar devendo.

O Brasil venceu sua estreia. Isso, em tese, justifica a manutenção do esquema. Mas Copa do Mundo não é campeonato estadual de janeiro, onde se pode rodar elenco sem consequência. Cada jogo é um argumento que o treinador apresenta ao torneio. E o argumento de hoje diz, com todas as letras, que Endrick ainda não convenceu o suficiente para ser titular incontestável.

Isso é um dado técnico, não uma tragédia. O problema não é o banco. O problema é o que o banco revela: o Brasil ainda está tentando descobrir quem é nesta Copa. Não chegou aqui com uma identidade consolidada, com um sistema que dispensa discussão. Chegou com perguntas abertas, e Endrick é a mais visível delas.

O Haiti não é a Espanha. Mas o adversário de hoje importa menos do que o espelho que o jogo vai oferecer. Contra times que fecham, que recuam, que esperam o erro — é exatamente aí que um jogador como Endrick, com explosão e desequilíbrio, deveria ser argumento de partida, não de segunda parcela.

Há uma lógica perversa no futebol de seleção: o jogador que não começa precisa entrar e resolver em vinte minutos o que o titular não resolveu em setenta. A pressão sobre Endrick, quando entrar, será desproporcional ao tempo que vai ter. E se não resolver, o ciclo se fecha sobre ele com crueldade.

As redes sociais já fizeram o que as redes sociais fazem — memes, indignação, humor que disfarça a ansiedade real. Mas por baixo do ruído digital há uma pergunta legítima que a torcida faz, à sua maneira, que é a mesma que qualquer observador técnico faria: para que serve Endrick neste time, e quando o técnico vai nos mostrar?

O Brasil joga às 21h30 desta sexta contra o Haiti. O placar final vai importar menos do que a resposta que o campo der sobre essa escolha. Copa do Mundo não espera ninguém amadurecer. Ela chega, passa e deixa para trás quem ainda estava se preparando para começar.

Marcos Tibúrcio, Esporte — Xaplin

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Brasil enfrenta Haiti sem Endrick titular na Copa do Mundo

Fonte: ge