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Outubro Já Começou — O Xadrez Eleitoral de 2026 em Março

Outubro já começou — pelo menos em Brasília.

Brasil — Política

Outubro já começou — pelo menos em Brasília. A seis meses das eleições gerais de 2026, o xadrez político brasileiro entrou em fase de movimentos rápidos e alianças improváveis. Três peças se destacam no tabuleiro: Tarcísio de Freitas (Republicanos), que lidera as pesquisas sem ter anunciado candidatura; Marina Silva (Rede), que tenta montar uma coalizão ambiental-progressista; e o Centrão, que não tem candidato mas tem o fundo eleitoral — e quem tem o fundo, tem o jogo.

Tarcísio: o favorito que não fala

O governador de São Paulo adotou uma estratégia incomum: silêncio. Enquanto potenciais adversários disputam espaço em programas de TV e redes sociais, Tarcísio governa — inaugurando obras, cortando gastos, apresentando indicadores. A estratégia funciona: sua aprovação em São Paulo é de 62%, e nacionalmente lidera com 22% sem ter feito um único discurso de campanha.

O risco é a base bolsonarista. Tarcísio precisa dela para vencer, mas abraçá-la publicamente afasta o centro. A solução tem sido ambiguidade calculada: não critica Bolsonaro, mas não o endossa. Fala em "modernização" em vez de "direita". Evita pautas de costumes. É, na prática, o candidato de direita que a direita moderada queria — e que a direita radical tolera, por enquanto.

Marina: a eterna quase

Marina Silva concorreu à presidência três vezes (2010, 2014, 2018) e nunca foi ao segundo turno. Em 2026, tenta novamente — desta vez com a pauta ambiental no centro do debate global e com a legitimidade de ter reduzido o desmatamento em 45% como ministra do Meio Ambiente. Sua candidatura é viável se conseguir unir Rede, PSB e parte do PDT em uma coalizão ampla. É inviável se ficar sozinha.

"O xadrez de 2026 tem muitas peças e nenhum rei. O que define o jogo não é quem move — é quem tem paciência para esperar o adversário errar."

O Centrão: o rei sem coroa

PP, PL, União Brasil, PSD e MDB controlam, juntos, 53% da Câmara. Nenhum tem candidato próprio viável à presidência. Mas todos têm o que candidatos viáveis precisam: fundo eleitoral (R$ 6,5 bilhões), tempo de TV e capilaridade municipal. O Centrão não precisa ganhar a presidência — precisa escolher o vencedor e cobrar o preço depois. É o jogo que joga desde 1988, e que nunca perdeu.

Redação Xaplin