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El Salvador: regime de exceção prende 90 mil desde 2022

Medidas de segurança no país da América Central reduziram violência de facções, mas provocaram denúncias de prisões arbitrárias.

Ilustração editorial: El Salvador: regime de exceção prende 90 mil desde 2022
Ilustração editorial gerada por IA · Ateliê Visual Xaplin

Factual · Plantão Xaplin · checado em 2 fontes independentes

O regime de exceção decretado em El Salvador pelo Congresso em 2022 levou ao encarceramento de cerca de 90 mil pessoas acusadas de ligação com facções criminosas, reduzindo a violência no país, mas gerando denúncias de prisões arbitrárias. A medida, que segue em vigor, permite que a polícia prenda sem mandado e mantenha indivíduos detidos por longos períodos antes de uma acusação formal, além de dificultar o acesso à defesa.

Organizações de direitos humanos criticam a ausência de julgamentos individuais e relatam 537 mortes de detidos sob custódia do Estado sem condenação, conforme apuração do g1. Marta Elena González, por exemplo, segura o retrato do filho morto após ser preso sob o regime, uma imagem registrada pela BBC News Brasil.

Em contraste, moradores como a professora Adélia Rosales, do bairro Campanera, nos arredores da capital San Salvador, afirmam que o cenário mudou. "Aqui apareceram cinco pessoas mortas", diz Adélia, apontando para um beco, em referência aos anos em que o bairro abrigava líderes da Barrio 18, uma das facções que fizeram de El Salvador o país com a maior taxa de homicídios do mundo em 2015. Em visita à Campanera no fim de maio, a equipe da BBC News Brasil não notou presença de facções, observando crianças brincando nas ruas até tarde.

Apesar do crescimento econômico de 3,9% em 2025, a pobreza extrema no país saltou de 4,3% para 8,8% entre 2019 e 2023, segundo dados do Banco Mundial. A população salvadorenha, de 6 milhões de habitantes, está dividida entre o alívio pelo fim do domínio das facções e o temor diante da concentração de poder nas mãos do presidente Nayib Bukele.

Fontes: g1 · BBC News Brasil