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Deepfakes nas eleições preocupam autoridades e plataformas digitais

Ferramentas de inteligência artificial já foram usadas em campanhas na Irlanda e Alemanha, diz pesquisador.

Ilustração editorial: Deepfakes nas eleições preocupam autoridades e plataformas digitais
Ilustração editorial gerada por IA · Ateliê Visual Xaplin

Factual · Plantão Xaplin · checado em 2 fontes independentes

A disseminação de ferramentas capazes de produzir conteúdo realista, os chamados deepfakes, tem elevado as preocupações de autoridades eleitorais, pesquisadores e plataformas digitais com as próximas eleições. Na última quinta-feira (13), os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adiaram uma reunião para debater a punição pelo uso de inteligência artificial (IA) nas campanhas.

O TSE ainda não divulgou uma nova data para a reunião, na qual decidirá se a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) cometeu irregularidade ao usar um vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), produzido com IA, na convenção partidária de julho. A Corte busca um consenso sobre a regulamentação para o uso de IA generativa, pois ainda não há respostas definitivas sobre como garantir um uso seguro e responsável da tecnologia antes do início oficial da campanha eleitoral.

Sam Stockwell, pesquisador do Centro de Tecnologias Emergentes e Segurança (CETaS) do Instituto Alan Turing, no Reino Unido, estudou diversos casos de uso de IA em eleições. Em 2025, um deepfake na Irlanda mostrava a principal candidata à presidência desistindo da campanha, e no mesmo ano, vídeos na Alemanha espalharam informações falsas sobre ameaças no dia das eleições parlamentares. No entanto, Stockwell afirma que "não existem evidências conclusivas de que ferramentas de IA tenham alterado profundamente o resultado de qualquer eleição".

Para o pesquisador, o perigo real da inteligência artificial reside na capacidade de semear confusão e corroer a confiança nas instituições. "A IA está corroendo a confiança no nosso espaço informacional e, crucialmente, também inflamando as divisões políticas num momento em que a polarização e a violência no mundo real estão, obviamente, em níveis muito elevados", afirmou Stockwell em entrevista.

Fontes: Folha de S.Paulo · BBC News Brasil