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Constelações — 40 Anos do Paço Imperial e a Arte Como Resistência

São 120 obras de 45 artistas brasileiros, de Lygia Clark a Ernesto Neto, passando por Adriana Varejão, Vik Muniz e a nova geração de arte digital.

Cultura — Arte

O Paço Imperial do Rio de Janeiro completa 40 anos como centro cultural em 2026 — e celebra com "Constelações", a maior exposição coletiva de sua história. São 120 obras de 45 artistas brasileiros, de Lygia Clark a Ernesto Neto, passando por Adriana Varejão, Vik Muniz e a nova geração de arte digital representada por Ventura Profana e Jaider Esbell (in memoriam). A mostra ocupa todos os seis andares do edifício histórico e fica em cartaz até agosto.

O Paço como resistência

Inaugurado como centro cultural em 1985, um ano após o fim da ditadura, o Paço Imperial sempre foi mais que um museu: é um símbolo. No mesmo edifício onde a família real portuguesa despachou por 80 anos, a arte brasileira contemporânea encontrou residência. O prédio que abrigou poder colonial agora abriga a negação desse poder — e a exposição "Constelações" é a celebração mais eloquente dessa inversão.

A curadora Luisa Duarte organizou a mostra em torno de um conceito: cada artista é uma estrela, e a exposição é uma constelação — onde o sentido emerge não de cada obra isolada, mas das linhas invisíveis que as conectam. "Bichos" de Lygia Clark dialogam com instalações sensoriais de Ernesto Neto. Pinturas de Adriana Varejão sobre colonização conversam com fotografias de Claudia Andujar sobre o povo Yanomami. O passado e o presente se olham — e o que veem não é bonito, mas é verdadeiro.

"Arte não é decoração. Arte é pergunta. E a melhor arte brasileira sempre perguntou a mesma coisa: quem somos quando paramos de fingir?"

Os destaques

Lygia Clark — "Bichos" (1960): As esculturas articuláveis que mudaram a arte brasileira. O visitante pode tocar, mover, reconfigurar. É arte que só existe com participação — conceito que Clark inventou antes de o mundo ter nome para isso.

Adriana Varejão — "Ruína de Charque" (2024): Azulejos coloniais que sangram. A obra confronta a estética portuguesa com a violência que a sustentou. É incômoda, é linda, é necessária.

Jaider Esbell — "Entidades" (2021): As pinturas do artista Macuxi, falecido em 2021, ganham uma sala inteira. Cores vibrantes, formas que misturam animal e espírito, narrativas indígenas que existiam antes de qualquer museu. A homenagem é merecida — e tardia.

Entrada gratuita. Terça a domingo, 12h às 18h. Praça XV de Novembro, Centro, Rio de Janeiro.

Redação Xaplin