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Câmara debate Comissão da Verdade Indígena em 17 de novembro

Audiência pública na Comissão da Amazônia busca avançar na criação de um órgão para apurar violências da ditadura.

Câmara debate Comissão da Verdade Indígena em 17 de novembro
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Factual · Plantão Xaplin · fonte oficial

A Câmara dos Deputados sediará uma audiência pública em 17 de novembro para debater a criação da Comissão Nacional Indígena da Verdade (CNIV). A iniciativa, proposta pela deputada federal Sônia Guajajara (PSOL-SP), atende a uma demanda de mais de uma década dos povos originários para apurar e responsabilizar o Estado por violências cometidas contra eles durante a ditadura militar, entre 1964 e 1985.

A audiência foi aprovada por meio do Requerimento nº 86/2026 na Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais. O documento destaca a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) como uma das entidades que vêm reiterando a necessidade de "captar, com a formação da CNIV, mais elementos que comprovem ações de despotismo durante a ditadura militar", informou a Agência Brasil. O objetivo é responsabilizar o Estado por "escravização, estupros, envenenamentos, torturas, remoções dos indígenas de seus territórios, entre outras" violências, além de casos de pessoas desaparecidas e presas ilegalmente.

A Comissão Nacional da Verdade (CNV), que atuou no Brasil e concluiu seu relatório em 2014, foi reconhecida pelo movimento indígena, mas considerada insuficiente por abordar os impactos em apenas dez povos: Tapayuna, Parakanã, Araweté, Arara, Panará, Waimiri-atroari, Cinta-larga, Xetá, Yanomami e Xavante. Essas populações representavam 3,3% dos povos identificados à época, e o levantamento permitiu a estimativa de 8.350 indígenas assassinados entre 1964 e 1985. O jornalista Marcelo Zelic, integrante do Grupo de Trabalho (GT) Indígena da CNV, questionou o relatório inicial de 35 páginas, que foi substituído após protestos.

A audiência na Câmara deve reunir lideranças indígenas, representantes do poder público, do sistema de Justiça, da sociedade civil e pesquisadores. Eles devem apresentar contribuições para ampliar a documentação existente, que se soma à contagem oficial de 305 povos indígenas no Brasil, número que cresce com a inclusão dos classificados em isolamento e é provavelmente inferior à quantidade real, conforme a Agência Brasil.

Fonte: Agência Brasil