O disco mais ouvido em cada pais revela mais sobre cultura
ARQUEOLOGIA MUSICAL por Caio Galvao Diga-me o que um pais ouve e direi quem ele e. Isso nao e metafora — e sociologia com fone de ouvido.
ARQUEOLOGIA MUSICAL
por Caio Galvao
Diga-me o que um pais ouve e direi quem ele e. Isso nao e metafora — e sociologia com fone de ouvido.
Passei os ultimos anos mapeando algo que ninguem mapeia: qual e o disco mais ouvido — nao o mais vendido, o mais ouvido — em diferentes paises do mundo. A diferenca importa: vender e marketing; ouvir e afeto.
O mapa sonoro do mundo
Brasil — Clube da Esquina (Milton Nascimento & Lo Borges, 1972)
Nao e o mais vendido (esse e Roberto Carlos). E o mais revisitado. O disco que brasileiros ouvem a vida inteira.Japao — A Long Vacation (Eiichi Ohtaki, 1981)
City pop. O Japao dos anos 80 condensado em 40 minutos de pop sofisticado. Redescoberto pelo YouTube em 2019.Nigeria — Zombie (Fela Kuti, 1977)
Afrobeat. Protesto politico disfarçado de groove. Fela foi preso por este disco. Valeu cada dia.Mali — Ali Farka Toure (Ali Farka Toure, 1988)
O blues nasceu aqui — literalmente. Toure toca a guitarra como se o Mississippi fosse afluente do Niger.Islandia — Agaetis Byrjun (Sigur Ros, 1999)
Post-rock glacial. Soa como a paisagem: vasta, gelada, estranhamente quente por dentro.Cuba — Buena Vista Social Club (1997)
Ry Cooder foi a Havana e trouxe de volta o que o embargo nao conseguiu apagar: a alegria.Senegal — 7 Seconds (Youssou N'Dour & Neneh Cherry, 1994)
Mbalax encontra pop europeu. Sete segundos e tudo que voce precisa para entender que a musica nao tem passaporte.
O proximo capitulo desta pesquisa: os discos mais ouvidos por cidade. Toquio, Lagos, Buenos Aires, Berlim, Nova Orleans. A musica muda de quarteirão — e isso e lindo.
Caio Galvao — Arqueologia Musical, Lado B. na Xaplin