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Brasil no Mundial de vôlei sentado: dois times, uma ambição

Análise · Marcos Tibúrcio Hangzhou não é Los Angeles. Mas é o caminho.

Brasil no Mundial de vôlei sentado: dois times, uma ambição
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Análise · Marcos Tibúrcio

Hangzhou não é Los Angeles. Mas é o caminho. E o Brasil, nos dois naipes do Campeonato Mundial de vôlei sentado, atravessa esse caminho com a convicção de quem sabe o que está em jogo — e o que ficou para trás.

As seleções masculina e feminina chegaram às quartas de final com aproveitamento perfeito na fase de grupos. As mulheres fizeram o que fazem campeãs quando encontram adversários menores: deram lição de eficiência, não de misericórdia. Três sets, parciais de 25/3, 25/9 e 25/11 contra a Hungria. Números que não precisam de comentário — falam pela velocidade com que o jogo foi encerrado. Os homens encontraram um Japão ligeiramente mais resistente, mas o 3 a 0 por 25/14, 25/14 e 25/19 deixou claro que a resistência tinha limite.

O que importa agora não é o que já aconteceu, mas o que vem pela madrugada de quarta-feira. O feminino reencontra a Ucrânia — o mesmo duelo das quartas de Sarajevo, em 2022, que o Brasil venceu a caminho do título. A memória do confronto existe, mas memória não joga. A Ucrânia de quatro anos atrás não é a Ucrânia de hoje, e o mesmo vale para o Brasil que saiu de Paris em quarto lugar, superado pelas norte-americanas na decisão do ouro. Há algo a provar. Não como desculpa — como combustível.

Entre os homens, a história é de outra natureza: o Brasil quer um título que ainda não veio. Vice-campeão nas duas últimas edições, a seleção masculina busca agora uma vaga nas semifinais pela terceira vez consecutiva. O adversário nas quartas é a Alemanha.

O contexto paralímpico pesa sobre cada ponto disputado. Os campeões de Hangzhou garantem vaga em Los Angeles 2028. Em Paris, o Brasil masculino terminou em sexto — com o Irã conquistando seu quarto ouro olímpico seguido no naipe. O feminino, mesmo favorito, foi superado e saiu sem medalha. A Paralimpíada está a dois anos de distância, mas a classificação começa a ser desenhada agora, neste ginásio chinês, nesta madrugada que o Brasil acompanha de longe e de olho aberto.

Há algo peculiar no vôlei sentado que exige ser dito: o esporte exige do atleta uma combinação de potência de braço, inteligência de jogo e mobilidade de quadril que não tem equivalente fácil em outras modalidades. Quando o Brasil, no feminino, aplica 25/3 num set, não está apenas vencendo — está impondo uma gramática do jogo que os adversários simplesmente não conseguem traduzir. Isso é técnica acumulada. É escola.

O Brasil tem dois times em quadra nesta Copa do Mundo em Hangzhou. Um que quer manter o que conquistou. Outro que quer conquistar o que ainda não tem. Os dois jogam de madrugada, com o país dormindo. Mas o placar vai estar lá quando o sol nascer.

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Brasil avança às quartas do Mundial de vôlei sentado nos dois naipes

Fonte: Agência Brasil