Bacia-esponja foca em rio para evitar inundações
Especialistas em conservação da natureza propõem o modelo para reter e reutilizar a água da chuva nas bacias hídricas.
Factual · Plantão Xaplin · fonte oficial
O conceito de "bacia-esponja" surge como alternativa para combater inundações, tratando os próprios cursos dos rios em vez de adaptar apenas as cidades, informou a Agência Brasil. A proposta é uma evolução do modelo "cidade-esponja", difundido no início dos anos 2000 pelo arquiteto chinês Yu Kongjian, focado em absorver, reter e reutilizar a água da chuva com soluções naturais.
A paisagista urbana Cecília Herzog, da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (Recn), defende a adaptação das bacias hídricas como um todo diante dos extremos climáticos. Para Herzog, "a água não respeita as nossas decisões políticas ou nossas convenções e fronteiras, o limite da natureza é outro, tem os seus processos e fluxos que correm na paisagem”. O modelo exige que o planejamento comece na cabeceira e se estenda até a foz, abrangendo as áreas periféricas que impactam o fluxo.
As intervenções práticas incluem proteger as nascentes nas partes mais altas das bacias e recuperar as florestas nas margens dos rios. Juliana Baladelli Ribeiro, gerente da Fundação Grupo Boticário e especialista em soluções baseadas na natureza, aponta que retardar o escoamento na estrutura do rio é mais eficaz, pois "o excesso de chuva que causa transtornos nas cidades muitas vezes não caiu diretamente ali. A água vem sendo acumulada ao longo da bacia hidrográfica, chegando pelos rios".
As especialistas ressaltam que a intervenção nas bacias não exclui ações urbanas. Nas cidades, é fundamental criar espaços como parques urbanos, jardins de chuva e praças úmidas, que ajudam a reter a água e permitem que ela retorne gradualmente ao seu fluxo natural.
Fonte: Agência Brasil
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