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Favoritos chegam pesados demais para jogar na final

Há um peso que só os favoritos carregam. Não é o peso da responsabilidade — esse qualquer um entende.

Favoritos chegam pesados demais para jogar na final

Análise · Marcos Tibúrcio

Há um peso que só os favoritos carregam. Não é o peso da responsabilidade — esse qualquer um entende. É o peso da narrativa que chega antes do jogador: o histórico, a camiseta, o nome bordado nas costas como se fosse uma obrigação ancestral. Brasil, Portugal e Espanha entraram em campo na primeira rodada desta Copa de 2026 carregando esse fardo. E os três tropeçaram com ele.

Não é pouca coisa. São três das seleções que mais vezes ergueram taças no século passado e neste. São três formas distintas de entender o futebol — o Brasil pela intuição e pela alegria que nem sempre aparece quando é convocada, Portugal pela dependência criativa de um homem só que já não é mais sozinho mas ainda parece ser, a Espanha pelo toque curto que pode ser genialidade ou pode ser covardia disfarçada de posse. Na estreia, as três falharam em ser o que prometem ser.

Isso tem nome. Chama-se estreia de Copa do Mundo. O torneio não espera que ninguém chegue pronto — cobra que o time se encontre em campo, em tempo real, diante de adversários que estudaram cada padrão, cada fraqueza, cada automatismo. As seleções menores chegam a este torneio sem nada a perder e com tudo aprendido sobre os grandes. É uma assimetria brutal que a bola, democraticamente, não resolve sempre a favor de quem tem mais Bolas de Ouro na convocação.

O drama da Copa começa aqui: quando o favorito descobre que o papel de favorito não joga por ele.

O caso brasileiro é sempre o mais comentado porque o Brasil é sempre o mais esperado. A seleção de mais títulos mundiais não entra num estádio, entra numa promessa. E promessa, na primeira rodada, ainda não tem como ser cumprida — o time precisa de tempo para virar time, e tempo é o que a fase de grupos concede com parcimônia. Uma derrota ou um empate na estreia não encerra nada, mas ressoa diferente quando a camisa é amarela.

Portugal tem o problema inverso: sobrou individualidade, faltou coletivo. Há anos que a seleção portuguesa orbita em torno de um centro de gravidade que, na teoria, foi deslocado — mas na prática segue sendo o eixo em torno do qual tudo se organiza, para o bem e para o mal. Quando esse eixo não funciona, o resto hesita.

A Espanha decepciona de outro modo. Decepciona quando o toque vira fim em si mesmo, quando a bola circula sem chegar a lugar algum. A posse se transforma em virtude estética sem consequência prática — e na Copa do Mundo, a consequência é o gol.

O que a primeira rodada disse, portanto, não é que os três estão eliminados ou que o ciclo acabou. Disse algo mais simples e mais antigo: que Copa do Mundo não é ranking. É campo. E campo, como a arquibancada sabe há muito mais tempo que qualquer técnico admite, tem a memória curta e a exigência longa.

Marcos Tibúrcio, Esporte — Xaplin

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Brasil, Portugal e Espanha decepcionam na estreia da Copa do Mundo

Fonte: ge