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Ancelotti reserva Endrick para duelo contra Haiti

Carlo Ancelotti optou por deixar Endrick no banco contra o Haiti, gerando reações nas redes sociais.

Ancelotti reserva Endrick para duelo contra Haiti

Análise · Marcos Tibúrcio

Carlo Ancelotti colocou Endrick e Martinelli no banco para enfrentar o Haiti. As redes sociais incendiaram. Os portais contaram. A torcida brasileira, que tem o dom de transformar escalação em manifesto, pediu, exigiu, clamou. Ancelotti não mudou de ideia — e aí está o primeiro dado relevante desta estreia: o técnico italiano está construindo uma hierarquia própria dentro da seleção, indiferente ao barulho externo. Isso pode ser liderança. Pode ser teimosia. Em junho, ainda é cedo para saber.

O 3 a 0 contra o Haiti diz pouco sobre o Brasil e muito sobre a Copa do Mundo que estamos vendo. Torneios de 48 seleções produzem, inevitavelmente, partidas como esta — onde o desequilíbrio técnico é tão pronunciado que o resultado chega antes da narrativa. O Haiti não tem condição de medir forças com o Brasil da Copa. Nunca teve, neste estágio. A vitória brasileira não é surpresa; surpresa seria o contrário.

O que merece atenção é o que Ancelotti fez com o jogo — ou o que o jogo fez com Ancelotti. Ele colocou Endrick e Martinelli em campo. A informação vem da BBC News Brasil e é o dado mais significativo da noite: o treinador usou o Haiti como laboratório, como se usa o adversário menor para testar combinações sem arriscar resultado. É uma escolha legítima. É também uma escolha que revela a forma como Ancelotti enxerga esta fase — não como porta de entrada para o torneio, mas como aquecimento.

O problema de jogar contra o Haiti como se fosse treino é que o time aprende a jogar contra o Haiti. O adversário de verdade vem depois.

O Brasil assumiu a liderança do grupo por saldo de gols, o que é o tipo de liderança que a tabela registra mas o time não sente. Saldo de gols em fase de grupos é prêmio provisório — significa que você marcou mais do que os outros contra adversários que o torneio, em algum momento, precisará explicar por que convidou. A seleção brasileira conhece bem este caminho: estreias folgadas, grupos arrumados, e então o confronto que vale de verdade — aquele que cobra tudo o que o time não precisou mostrar antes.

Endrick entrou. Martinelli entrou. O que fizeram em campo, o placar já respondeu em parte — o Brasil fez três. Mas a pergunta que Ancelotti terá de responder nas próximas rodadas é outra: o que esses jogadores fazem quando o adversário tem onze de volta, pressiona a saída de bola e não abre espaço por bondade? Contra o Haiti, o espaço é um dado do jogo. Contra qualquer seleção da segunda fase, o espaço será conquista.

Por enquanto, o Brasil venceu. Ancelotti ignorou a internet e fez o que quis. O torneio começa de verdade quando o que ele quer bater de frente com o que o adversário não vai deixar.

Marcos Tibúrcio — Esporte

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Brasil bate Haiti 3 a 0 em jogo da Copa do Mundo de 2026

Fontes: Folha de S.Paulo · BBC News Brasil