Ancelotti inicia ciclo na Seleção com escolhas sob debate
Carlo Ancelotti assume a Seleção Brasileira e suas primeiras convocações geram questionamentos sobre o futuro.
Análise · Marcos Tibúrcio
O grito da arquibancada ainda ecoa, meio frustrado, meio esperançoso, e a engrenagem do futebol já move o calendário. Carlo Ancelotti, homem de poucas palavras e muitos títulos, anunciará na próxima quarta-feira, dia 9, os nomes que vestirão a amarelinha para os amistosos contra Austrália e Índia. Não é pouca coisa. A lista não é só uma lista; é o primeiro aceno do novo ciclo, o esboço de um caminho que, espera-se, leve ao mundial de 2030.
A pauta é clara: renovação. O próprio Ancelotti, ao anunciar os jogos, já ensaiou o discurso. Quer ver gente nova, sobretudo os mais jovens. A comissão, atenta, já rodou a Europa e, dizem, tem olhos bem abertos para o que se faz aqui no nosso campeonato e nas categorias de base. É um acerto, para quem viu a seleção na Copa recente sem o vigor necessário para o último ato. Mas qual o tamanho dessa renovação? É aí que a coisa fica interessante.
A Austrália, a ser enfrentada duas vezes em Queensland e Brisbane, e a Índia, em Calcutá, não são adversários que impõem o medo de uma Alemanha, por exemplo. Isso, para um treinador que busca experimentar, é uma faca de dois gumes. Permite ousadias, sim. Mas também pode mascarar deficiências ou supervalorizar qualidades que seriam postas à prova de verdade em outro front. O desafio é calibrar o experimento, usar esses jogos para entender quem tem perna, cabeça e coração para carregar o peso da camisa, e não apenas para preencher o álbum de figurinhas com novidades.
A história da seleção brasileira, essa senhora de tantas glórias e alguns dissabores, mostra que cada ciclo é um novo parto. O de agora, com a promessa de integração entre base e principal, e a observação de nomes para o próximo ciclo olímpico, pode ser um sopro de ar fresco. Mas o ar fresco tem que vir acompanhado de raízes firmes. Ancelotti, com sua bagagem, sabe disso. A questão, para a arquibancada, é se ele vai buscar apenas o que reluz no exterior ou se terá a ousadia de olhar para casa, para os campos de várzea e os estádios modestos, onde o talento bruto ainda brota sem grife.
O primeiro confronto com a Índia será inédito. Mais um marco para a estatística. Mas o que queremos ver, de fato, é o marco em campo: um time que joga com a alma que se exige do Brasil. Ancelotti terá a caneta na mão para escrever o primeiro capítulo dessa nova jornada. O que não se sabe ainda é se a tinta será da cor do presente ou se já trará o presságio do futuro que queremos.
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
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Fonte: ge