Ancelotti testa opções táticas em amistoso
Ancelotti explora formações e estratégias em partida preparatória, buscando alternativas para a temporada e melhor desempenho.
Análise · Marcos Tibúrcio
Às três da tarde, quando Carlo Ancelotti pronunciar o primeiro nome, um ciclo se fechará e outro, talvez, começará. A convocação de um time de futebol, no Brasil, nunca foi um ato burocrático. É um pronunciamento à nação. E esta, a primeira desde a Copa do Mundo, tem o peso de uma certidão de óbito e a esperança vaga de uma de nascimento.
Os adversários dizem muito sobre o momento. Austrália, duas vezes. Depois, Índia. Não se trata de uma turnê para testar o limite dos atletas ou a força do esquema tático. É uma excursão para cumprir tabela e reabituar o olhar do público ao amarelo da camisa. Townsville, Brisbane, Calcutá. Palcos distantes para um drama que ainda é doméstico. A ferida da Copa não se cura em estádios onde o futebol é um esporte de nome estrangeiro. A cura, se vier, começa em um auditório, com uma lista de nomes.
Uma folha em branco ou o mesmo rascunho?
A expectativa, dizem os telegramas das redações, é por jogadores jovens. Por nomes com pouca ou nenhuma rodagem. A promessa de renovação é o hino oficial de todo recomeço no futebol. Ela embala o torcedor que ainda remoi o último fracasso e acena com um futuro que, por definição, não pode ser pior que o passado recente. É uma melodia conhecida.
Mas uma lista não é feita só de promessas. É feita de ausências. Cada novo rosto convocado significa um veterano deixado para trás, um herói de ontem que hoje assiste à coletiva pela televisão. A verdadeira mensagem de Ancelotti não estará nos jovens que ele chamar, mas nos medalhões que ele ousar esquecer. Ali, no silêncio dos nomes não ditos, morará a dimensão da ruptura que ele propõe — ou a confirmação de que tudo continuará como antes.
Enfrentaremos a Austrália em Brisbane e Townsville. E, pela primeira vez na história, a seleção principal da Índia. É evidente, no entanto, que o adversário mais duro nesta primeira convocação não calça chuteiras nem veste uniforme. O adversário é o fantasma da última Copa. É a desconfiança que se senta na arquibancada e no sofá da sala. É o espelho.
Ancelotti, um homem acostumado a palcos imensos e dramas operísticos, sabe que sua primeira escalação não será para um jogo de futebol. Será para aplacar essa memória.
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
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Fonte: ge