Alex busca normalidade após carreira de sucesso no futebol
Ex-jogador Alex se reinventa longe dos holofotes, explorando a vida comum e novos projetos após anos de brilho nos gramados.
Análise · Marcos Tibúrcio
Alex, o jogador, era um evento. Um passe dele justificava o ingresso. Em campo, era o artista que não precisava correr, pois o universo se movia ao redor de sua canhota. Alex, o técnico, é outra coisa: um operário. Alguém que agora, no modesto Athletic de São João del-Rei, celebra a marca de 31 jogos e um aproveitamento de 47,31%. Quarenta e sete por cento. Para o gênio que foi, o número soa a esmola.
Mas é aí que reside o drama. A transição da arte para o ofício é uma descida ao mundo dos mortais. O material de apuração é seco, um boletim de serviços prestados: 11 vitórias, 11 empates, nove derrotas. Passagens por Avaí, pelo caos administrativo do Antalyaspor turco. Números que não cantam, não driblam, não encantam. Apenas registram a labuta.
O único lugar onde a estatística sorriu para Alex foi longe dos holofotes profissionais, no sub-20 do São Paulo. Ali, com a molecada em Cotia, ele alcançou quase 65% de aproveitamento. Era o maestro ensinando os primeiros acordes. No futebol dos homens, porém, a partitura é outra. O futebol profissional não quer aulas; quer resultados para ontem. Quer o pragmatismo que o Alex jogador tantas vezes desprezou em nome da beleza.
A goleada de 5 a 0 sobre o Vila Nova, que carimbou seus recordes pessoais, é um ponto de luz nesta travessia. Mas o quadro geral ainda é o de um homem inteligente tentando traduzir sua genialidade para uma língua que não é a sua. Como explicar o inexplicável? Como transformar em método o que nele era instinto? A prancheta é um instrumento limitado para quem pintava com os pés. Outros fizeram a passagem com aparente facilidade; para Alex, parece um processo doloroso de se tornar comum, de aceitar que a vitória por um a zero, sofrida, tem o mesmo valor de uma pintura renascentista.
Esta leitura, claro, é a de hoje. O futebol devora verdades e amanhã Alex pode estar em um gigante do país, empilhando taças. Ou pode sucumbir, mais um craque que não se encontrou do lado de fora da cal.
Por enquanto, o que se vê é a luta de um homem para provar que a inteligência que sobrava em campo pode, enfim, vencer a teimosia das planilhas. E talvez a maior vitória de Alex não seja um troféu, mas a teimosia de continuar tentando.
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
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Fonte: ge