Agricultor é solto no ES após 54 dias por plano de matar filho
Homem de 36 anos, que teria revelado planos ao ChatGPT, ficará com tornozeleira eletrônica e não pode se aproximar da criança.
Factual · Plantão Xaplin · checado em 2 fontes independentes
Um agricultor de 36 anos, identificado como João (nome fictício), foi solto na quinta-feira, 13 de agosto, após 54 dias de prisão preventiva no Espírito Santo. Ele havia sido detido em 19 de junho em São Gabriel da Palha, município a 200 km de Vitória, sob a suspeita de planejar o assassinato do filho de 8 anos, utilizando o ChatGPT para pesquisar e confessar intenções, segundo a Polícia Civil do Espírito Santo.
As conversas, que se estenderam por cerca de dois meses, incluíam pesquisas sobre efeitos de substâncias tóxicas no corpo, uma suposta oferta de R$ 50 mil para que uma pessoa matasse a criança e declarações como "Ofereci 50 mil para ele me matar e matar meu filho, mas ele não quis por se tratar de uma criança", conforme mensagem acessada pela BBC News Brasil. O agricultor também teria dito: "Queria saber de onde vem essa vontade de matar as pessoas. Eu gosto da sensação de ver outra pessoa sofrer".
As interações acenderam um alerta na OpenAI, criadora do ChatGPT, que comunicou o fato ao FBI. A informação foi repassada às autoridades brasileiras e chegou à Polícia Civil do Espírito Santo em 16 de junho, por meio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), braço tecnológico do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A prisão ocorreu um dia antes da data em que, segundo o delegado Brenno Andrade, da Delegacia de Crimes Cibernéticos, o plano de execução do filho seria colocado em prática.
A Justiça concedeu um habeas corpus à defesa do agricultor, que alegou excesso de prazo na investigação. A decisão considerou que, após mais de 50 dias de prisão, o inquérito não havia sido concluído pela polícia nem a denúncia apresentada pelo Ministério Público. João usará tornozeleira eletrônica e está proibido de se aproximar do filho. A defesa sustenta que não houve crime, pois a mera cogitação não é punível.
Fontes: g1 · BBC News Brasil
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