Bolsonaro retorna à política após derrota eleitoral
O ex-presidente retorna ao cenário político. Analisamos as estratégias para sua reabilitação após as eleições.
Análise · Marcos Tibúrcio
Há duas maneiras de se encarar uma volta. A do filho pródigo, que retorna com o rabo entre as pernas e a lição no bolso. E a do veterano, que chega da guerra com cicatrizes que são, elas mesmas, um manual de sobrevivência. O Franca que entra em quadra neste sábado contra o Osasco é um pouco dos dois.
Voltaram Reynan e o uruguaio Luciano Parodi. Foram servir pátrias, vestir outras camisas, sonhar outros sonhos. O técnico Helinho Garcia foi junto. Da empreitada com a seleção brasileira, trouxeram na bagagem duas derrotas nas Eliminatórias da Copa do Mundo. A matemática do esporte de alto rendimento é impiedosa: saíram como expoentes, retornam como parte de um fracasso coletivo.
Mas o basquete, como a vida, não é feito só de placares. É feito de homens. Helinho, que conhece o ofício, fala em “jogos importantes”, e não em resultados. Sabe que a cancha internacional, mesmo na derrota, endurece o couro. É um conhecimento que não se ensina em treino tático, não se desenha em prancheta. Aprende-se na marra, na bola que não cai, no ginásio hostil.
Enquanto isso, em Franca, os que ficaram treinavam. O resto do elenco, os anônimos que seguram o rojão quando as estrelas viajam, “treinou muito forte”, nas palavras do chefe. É a dinâmica de todo grande time. Um motor que não pode parar porque uma ou duas peças foram requisitadas para outra máquina. E talvez esteja aí o verdadeiro desafio do Osasco, lanterna da primeira fase e saco de pancadas no último encontro — um elástico 101 a 52.
O time da Grande São Paulo não é o mesmo. Chegaram seis. Um deles, Jhonatan Luz, conhece bem o Pedrocão e os atalhos para a cesta. O discurso do Franca, claro, é de respeito. David Jackson, o ala-armador, projeta uma “série muito dura”. É o que se diz. É o protocolo de quem está no topo e sabe que o primeiro passo para a queda é o salto alto. Mas a verdade é que, no papel, a distância entre os dois times é a mesma que separa a primeira da última página de um livro. Resta ver se a história que começa a ser contada no Geodésico seguirá o roteiro previsto.
Ou se as lições aprendidas longe de casa — as vitórias dos que ficaram e as derrotas dos que foram — podem, de alguma forma, reescrever o final.
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
Leia o factual: Franca recebe Osasco neste sábado pelas quartas do Paulista
Fonte: ge