A volta do futebol sem holofotes
Análise · Marcos Tibúrcio A Copa do Mundo masculina, se quiserem saber, terminou.
Análise · Marcos Tibúrcio
A Copa do Mundo masculina, se quiserem saber, terminou. Os estádios no Canadá, México e Estados Unidos esvaziaram, os turistas voltaram para casa com suas camisas novas e o silêncio desceu sobre a América do Norte. Por aqui, a vida insiste em seguir seu curso. O futebol, o de verdade, aquele que não para, voltou a um campo qualquer de Minas Gerais.
Nesta sexta, Cruzeiro e São Paulo se encontram pelo campeonato nacional de mulheres. Não haverá o mesmo barulho. Não haverá a mesma urgência planetária. Mas haverá algo que o circo da FIFA nem sempre entrega: um drama palpável, com personagens de carne, osso e joelhos remendados.
O Cruzeiro carrega o peso de quem já esteve no topo. Finalista na última edição, o time hoje amarga a sétima posição. É a distância entre a glória e a realidade, medida em pontos e, principalmente, em ausências. Seis atletas se foram, uma a uma, vítimas da mesma lesão de ligamento cruzado. Millene, Ravena, Gaby Soares, Laura Felipe, Tainara, Paloma Maciel. São nomes, não estatísticas; são histórias interrompidas no departamento médico. Para piorar o cenário, o time chega de uma eliminação na Copa do Brasil, derrotado pelo Fluminense no meio da semana.
Do outro lado, o São Paulo. Terceiro na tabela, o clube paulista vive o oposto. Avançou na mesma Copa do Brasil, batendo o Vasco, e vem de duas vitórias seguidas no campeonato. A matemática é simples: vencer significa dormir na liderança, um pequeno trono provisório no campeonato que o país esqueceu que existia durante um mês.
É um confronto de destinos. De um lado, a equipe que luta contra a própria memória e uma enfermaria cheia. Do outro, a que surfa a onda do momento e mira o cume. Para os que ainda se importam com a bola rolando em gramados brasileiros, e não apenas nos palcos milionários da FIFA, o jogo em Minas é a prova de que o futebol sobrevive. Ele não precisa dos holofotes do mundo. Precisa apenas de um campo, duas traves e um punhado de gente disposta a deixar tudo ali dentro.
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
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Fonte: ge