Xaplin On
Brasília
Portal Xaplin — jornalismo vivo • a revista não dorme
USD EUR GBP JPY BTC ETH SOL BNB

A vitória que mora no décimo primeiro lugar

Análise · Marcos Tibúrcio A matemática é fria: o Brasil terminou o Mundial de Rúgbi em Cadeira de Rodas na mesma 11ª posição de quatro anos atrás.

A vitória que mora no décimo primeiro lugar
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Marcos Tibúrcio

A matemática é fria: o Brasil terminou o Mundial de Rúgbi em Cadeira de Rodas na mesma 11ª posição de quatro anos atrás. Para quem vive de planilha, um resultado estagnado. Uma linha reta. Mas o que se viu no ginásio do Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, não foi uma linha reta. Foi uma colisão. De corpos, de metais, de vontades.

Contra a Nova Zelândia, na disputa que valia um consolo, Gabriel Feitosa marcou 24 pontos. Quase metade da produção do time. Ele é o capitão. A seu lado, Julio Braz fez outros 21. Juntos, os dois homens foram responsáveis por 45 dos 53 pontos que selaram o destino dos neozelandeses. Eles não estavam ali para cumprir tabela. Estavam para fincar uma bandeira.

A campanha brasileira no torneio foi um retrato de suas fronteiras. A seleção venceu quem precisava vencer — bateu o Canadá, uma força tradicional, e superou a Nova Zelândia duas vezes. Mas caiu diante das potências que hoje dominam o mapa do esporte: Holanda, Austrália, Estados Unidos. E, o que talvez doa mais, perdeu para a Colômbia, um vizinho. A geografia da derrota ensina mais que a da vitória.

Dizer que o time “igualou” a campanha anterior é, portanto, uma verdade que mente. Em 2022, o 11º lugar tinha o sabor de uma descoberta. Em 2026, com o campeonato em casa, o mesmo posto tem o peso do que já se conhece. A seleção não é mais uma novata deslumbrada. É um time que sabe o seu nome, sabe onde pode chegar e, principalmente, onde ainda não consegue pisar. Este, claro, é o retrato de hoje; o esporte não costuma respeitar quadros que se pretendem permanentes.

No sábado, enquanto os gigantes do esporte — Estados Unidos, Japão, Inglaterra, Austrália — decidiam o título, dois homens empurravam suas cadeiras e atiravam seus corpos contra o adversário por um lugar que não rende manchete. Gabriel e Julio não jogavam pelo pódio. Jogavam pela honra. E quem estava lá, ouviu o som. O som metálico e surdo de quem se recusa a ser apenas um número na estatística final.

O que vale mais: um troféu erguido por obrigação ou uma vitória conquistada quando já não havia mais nada em jogo?

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Brasil iguala 11ª posição no Mundial de Rúgbi em Cadeira de Rodas

Fonte: ge