Polônia vinga derrota da Euro e vence Bélgica na Liga das Nações
A Polônia derrotou a Bélgica na Liga das Nações, um ano depois de ser goleada na Eurocopa.
Análise · Marcos Tibúrcio
Há fantasmas que viajam. Não precisam de passaporte, apenas de uma bola e um calendário. O Brasil que entra em campo em Bielsko-Biała, na Polônia, não carrega apenas a chance de uma classificação antecipada. Carrega a memória de 2002, uma semifinal decidida nos pênaltis, um drama que as planilhas de hoje não ousam lembrar. Vinte e quatro anos. É uma vida inteira. Para as meninas de Camila Orlando, é pré-história.
Mas o futebol não esquece. A camisa amarela tem um peso que se herda, não se escolhe. Contra o Canadá, joga-se o presente e uma dívida antiga. A goleada sobre a Tanzânia por 4 a 1 foi um cartão de visitas, um recado escrito com a autoridade de quem sabe o que quer. Evelin, duas vezes na rede. Thaynara. Vitória. Nomes, não números. Personagens de um roteiro que apenas começou.
O palco é um estádio de 15 mil lugares, inaugurado em 1927 e refeito em 2015. Uma arena antiga com pintura nova, como o próprio confronto. Do outro lado, as canadenses de Cindy Tye vêm de um empate morno contra a Inglaterra. Chegam com a obrigação de pontuar, a corda no pescoço. O Brasil, ao contrário, chega com a tranquilidade dos três pontos na mala e a memória curta do troco dado em 2024, um 2 a 0 que serviu de aperitivo. O prato principal, porém, é outro.
Claro que se pode ler o jogo como uma mera formalidade tática. O Brasil, com a velocidade de Dudinha e Carioca, contra um time que precisa se expor. Uma análise fria, correta, que morre no apito inicial. A arquibancada, mesmo a polonesa, sabe que há mais. Sabe que o futebol é um ajuste de contas permanente. A técnica brasileira não estava em campo em 2002, nem suas jogadoras. Mas a camisa, sim. A camisa estava lá.
Uma vitória classifica o Brasil, resolve a vida na primeira fase e permite respirar. Mas para o futebol, que vive de histórias, uma vitória é mais. É a confirmação de que certos acertos não prescrevem. É a chance de fechar um livro que ficou aberto por tempo demais.
Ou seria apenas a obsessão de um velho de arquibancada, lendo drama onde as meninas só querem jogar bola?
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
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Fonte: ge